NELSON ALMEIDA / AFP
NELSON ALMEIDA / AFP

Rony supera Pelé na Libertadores e se guia no filho para enfim marcar de bicicleta pelo Palmeiras

Camisa 10 dedica gol a Abel Ferreira, responsável pela sua evolução, à família e aos torcedores, ansiosos pelo lance de placa

Ricardo Magatti, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2022 | 22h41

Há uma semana, Rony havia igualado Pelé. Sete dias depois, ele ultrapassou o Rei do Futebol ao viver uma noite mágica nesta quarta-feira. O camisa 10 marcou duas vezes na goleada por 5 a 0 do Palmeiras sobre o Cerro Porteño, conseguiu, enfim, anotar o seu tão desejado gol de bicicleta e alcançou a marca de 18 gols na Libertadores, superando Pelé.

Rony fez quatro dos oito gols que o Palmeiras marcou nas vitórias por 3 a 0 e 5 a 0. O curioso é que ele havia sido preservado e não iniciara entre os titulares o duelo desta quarta no Allianz Parque. No entanto, a lesão muscular na coxa de Navarro fez com que entrasse em ação. Foram dois gols na etapa final e uma assistência para Breno Lopes.

O seu segundo gol foi o mais especial porque, enfim, conseguiu acertar a bicicleta tão desejada. Quando a bola estava no ar foi possível notar a ansiedade dos torcedores pelo desenlace da jogada. É fácil de explicar o contexto: Rony vinha tentando desde o ano passado marcar dessa maneira e emular Leônidas da Silva, o criador desse lance de placa. A torcida comprou a ideia e apoiou o camisa 10 até ele ter êxito.

"Foi impressionante tudo que aconteceu. Essa noite vai ficar marcada pro resto da minha vida. Eu já vinha tentando essa bicicleta. Tinha parado de tentar, mas comecei a tentar de novo", celebrou o atacante. "Na hora que eu fazia a torcida já começava a gritar. Aquilo me incentivou mais a fazer. Disse que ia continuar tentando, que eu ia errar, mas que uma hora eu iria acertar", acrescentou.

Não foi só a torcida que incentivou Rony. Ele contou que ver seu filho lhe imitando, em casa, deu um estímulo para que não desistisse. "Quando você chega em casa e vê teu filho fazendo te motiva ainda mais a fazer", revelou o atleta. 

"Dediquei o gol ao meu filho, que me incentivou, à minha família, e também aos torcedores, que pediram para eu não desistir de tentar. Eu falei que uma hora eu ia acertar e aconteceu. Por tudo que eu passei, que eu vivi, é algo extraordinário", continuou

Goleador

Embora não seja um camisa 9, Rony se transformou em um. Na falta de um centroavante confiável, Abel improvisa o atacante na função desde o ano passado e vê, já há algum tempo, sua escolha dar resultado. Rony evoluiu em relação à forma como se posiciona e também aprimorou as finalizações, visto que aumentou consideravelmente sua média de gols da temporada passada para a atual.

No ano passado, em 42 jogos, ele foi às redes 12 vezes. Em 2022, já são 18 gols em 42 partidas. Ele é o artilheiro histórico do Palmeiras na Libertadores (18, considerando as duas edições passadas e a que está disputado), e também é o maior goleador da equipe nesta edição do torneio continental e no Brasileirão, com sete gols em cada um dos torneios. O mérito dessa evolução ele divide com Abel Ferreira.

"Fico feliz por estar melhorando minha média de gols. O Abel perguntou no começo da temporada quantos gols eu tinha feito ano passado. Ele me falou que eu tinha de fazer mais gols esse ano e que as coisas iam acontecer naturalmente", disse o atleta, disposto a mostrar a importância do português em sua transformação de ponta para goleador.

"Independentemente da função, fico feliz de ajudar meus companheiros. Me sinto honrado. É uma felicidade imensa também ter o Abel como treinador, até por tudo que fez por nós".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.