Roque Jr. diz: "É fácil me criticar"

Roque Júnior é um dos jogadores mais cobrados da seleção. E isso vem de longe. Na fase que antecedeu o Mundial de 2002, havia restrições a sua escalação, em torno da qual se faziam previsões pessimistas. No fim das contas, frustrou seus críticos, com desempenho sóbrio e o título. A história parece repetir-se agora, três anos depois da aventura na Ásia. Roque novamente concentra a artilharia pesada de quem põe em dúvida a validade de sua confirmação como titular. "É fácil me criticar, até aceito críticas desde que saibam analisar, mas falam mal de mim sem fundamento." Assim como aconteceu na campanha do pentacampeonato, resta-lhe como consolo dividir a carga com Lúcio. Mas o ex-palmeirense, que transitou por Milan, Leeds e Ancona, antes de desembarcar no Bayer Leverkusen, aparentemente aprendeu a suportar o fogo cruzado de observações pouco lisonjeiras. "Sei tirar as provocações de letra", garantiu, na fase de ajustes finais do Brasil antes da estréia na Copa das Confederações. A capacidade para manter o autocontrole foi colocada em teste ao lhe perguntarem o que fazer para evitar, na competição alemã, novo ?chocolate? - uma derrota constrangedora, na gíria do futebol - como aquele de oito dias atrás em Buenos Aires, pelas Eliminatórias. "Não acho que houve chocolate nenhum", foi a resposta, pronta, sem vacilo. "No primeiro tempo, não fomos bem, a Argentina abriu vantagem e mesmo assim não criou muitas chances de gol", recordou. "No segundo, melhoramos, diminuímos a diferença. Não vejo chocolate nisso, como não houve quando ganhamos por 3 a 1 em Belo Horizonte." De qualquer modo, Roque vai encontrar no desempenho no Monumental de Núñez a fórmula para driblar novos tropeços. Em sua avaliação, basta evitar os erros do primeiro tempo e repetir os acertos do segundo. "Temos de marcar com atenção e fazer nossa parte. O resto vem junto", supõe. Na teoria, não há nada de extraordinário. A questão é a prática, já que a seleção tem vacilado no setor defensivo. Roque Júnior não se abala e espera que a desconfiança caia no vazio, como nas inesquecíveis noites do verão asiático de 2002. O teste começa nesta quinta, contra os gregos.

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