Juan Mabromata/AFP
Juan Mabromata/AFP

Roqueiro tatuado e com fama de rebelde, Sampaoli tenta tirar Argentina da fila

Seleção de Messi, que estreia na Copa neste sábado, não levanta uma taça há 25 anos

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

16 Junho 2018 | 00h00

Se o técnico Jorge Sampaoli pudesse escolher uma música para tocar na estreia da Argentina na Copa do Mundo neste sábado, diante da Islândia, provavelmente ele escolheria uma dos Callejeros. Ele gosta tanto do verso “Não escuto e sigo por que muito do que é proibido me faz feliz” que fez questão de tatuá-lo no braço esquerdo. Um roqueiro tatuado, com fama de rebelde e encrenqueiro, pretende tirar a Argentina do atoleiro de 25 anos sem taças e fazer Messi campeão. 

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No antebraço direito, o treinador escreveu o nome “Outubro”, disco da banda Los Redondos. Na esquerda, o treinador ainda tem as marcas dos grupos Callejeros, que acabou em 2010, e Don Osvaldo, seu sucessor. Existe ainda a frase “Educar é combater. O silêncio não é meu idioma”. 

Em abril, ele surpreendeu os ouvintes da rádio argentina Mega ao ligar e pedir uma música ao vivo. Foi no programa matinal Reloj de Plastilina. Ele pediu a canção do grupo La Renga chamada Triste canção de amor. Todas essas bandas são de rock argentino. A preferida de Sampaoli tem letras politizadas, que retratam a vida na periferia de Buenos Aires. 

Para os padrões brasileiros, rock, tatuagem e técnico de futebol são palavras que não cabem no mesmo verso musical. Não ornam. Mas, com Sampaoli, é diferente. Ele fez uma ponte entre suas duas paixões: o rock argentino de raiz e o futebol. 

 

A concentração da seleção em Bronnitsy foi decorada com versos dessas canções. Muitas falam da força coletiva, união, temas motivacionais e até de assuntos místicos. A banda Los Espíritus é a mais presente.

A ideia de decorar a concentração com frases inspiradoras não é nova. Quando a equipe ficou concentrada na Cidade do Galo, em 2014, a história foi a mesma. A diferença é que não havia letras de rock. As frases eram como “23 viajam, 40 milhões apoiam. Até a final”, “A esperança é o caminho” e “A vitória é o destino”. Sampaoli, portanto, subiu um tom.  “O rock e o futebol precisam da mesma energia”, costuma dizer o treinador. “Trabalham o corpo e a mente ao mesmo tempo.”

 

POLÊMICA

A trajetória dos Callejeros é polêmica. Como era característico em seus shows, o grupo fazia uso de artefatos pirotécnicos, o que causou uma tragédia na casa noturna República Cromañón. Morreram quase 200 pessoas. Em 2009, os músicos foram absolvidos. Em 2011, porém, a sentença foi revista e os integrantes da banda, responsabilizados. Atualmente Pato Fontanet, ex-líder e vocalista do grupo, está preso. Sampaoli criticou a condenação várias vezes. 

Rock e futebol também são o fio condutor do novo livro de Sampaoli. Mis latidos. Ideas sobre a cultura do jogo resume a filosofia de trabalho e de vida do treinador campeão da Copa América. O livro é dinâmico, nervoso, frases curtas e aceleradas, como suas idas e voltas constantes na beirada do campo. Ou como uma letra de rock.

 

 

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