Fernando Villar/AFP
Fernando Villar/AFP

Rosell nega lavagem de dinheiro em acordos por direitos de amistosos da seleção

Ex-executivo da Nike no Brasil é acusado de apropriação indébita em relação à venda de direitos televisivos

Redação, Estadão Conteúdo

26 de fevereiro de 2019 | 10h34

Ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell negou as acusações de lavagem de dinheiro em depoimento dado em um tribunal espanhol nesta terça-feira, dizendo que não fez nada de ilegal em relação à venda de direitos televisivos para jogos envolvendo a seleção brasileira.

Ex-executivo da Nike no Brasil e presidente do Barcelona de 2010 a 2014, Rosell foi acusado de apropriação indébita de fundos provenientes da venda de direitos televisivos envolvendo amistosos da seleção, bem como de um contrato de patrocínio entre a empresa de material esportivo e a CBF. Ele também é acusado de fazer parte de uma organização criminosa.

Promotores espanhóis pedem uma sentença de 11 anos de prisão, além de uma multa de quase 60 milhões de euros (R$ 255 milhões) para ele. "Eu sou inocente. Eu vou sempre defender meu prestígio e minha honra", disse Rosell ao juiz no final do seu depoimento.

Os promotores afiram que Rosell ajudou a lavar cerca de 20 milhões de euros (aproximadamente R$ 85 milhões) relacionados a comissões para os jogos do Brasil durante o período em que Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, estava no comando da entidade. Ele é acusado de ter ficado com pelo menos 6,5 milhões de euros (R$ 27,7 milhões) desse valor. "Não houve comissões, nem ilegais nem legais", disse Rosell enquanto respondia perguntas dos seus advogados.

Rosell disse ser "absolutamente falso" que ele ajudou a lavar dinheiro para Teixeira, embora tenha admitido ter feito alguns investimentos em negócios com o cartola, que não teriam, na sua versão, qualquer relação com os contratos para as partidas do Brasil. Mas admitiu que Teixeira lhe emprestou dinheiro para ajudá-lo a comprar um apartamento, algo que declarou ter pagado com juros três anos depois. Os promotores dizem que o empréstimo fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro de Rosell e Teixeira.

Teixeira, que renunciou à presidência da CBF em 2012 e fez parte do Comitê Executivo da Fifa, foi indiciado pelas autoridades norte-americanas em 2015, como parte do escândalo da corrupção no futebol, e não tem viajado para fora do Brasil. Ele também é investigado no País.

Rosell disse que a empresa para a qual ele trabalhava, o conglomerado ISE, da Arábia Saudita, fechou um acordo com a CBF para pagar US$ 1,15 milhão (R$ 4,3 milhões) por cada uma das 24 partidas do Brasil que iria organizar e deter os direitos de TV. Pelo acordo, Rosell afirmou que a sua própria empresa ganharia US$ 250 mil (R$ 940 mil) depois que cada jogo fosse realizado.

Ele disse que seu contrato com o ISE terminou após 14 partidas porque decidiu concorrer à presidência do Barcelona, o que significa que ele renunciou a US$ 2,5 milhões (R$ 9,4 milhões), algo que teria direito pelo restante do acordo. "Era um ou outro. Eu não teria tempo para fazer as duas coisas", afirmou.

Rosell disse que se tornou um alvo para as autoridades espanholas após ser eleito presidente do Barcelona. Ele afirmou que foi submetido a mais de 50 investigações pelas autoridades fiscais desde então, e continua a ser alvo delas até agora. E declarou que seus parentes também foram alvos. Esse, caso, porém, não possui qualquer relação com o período em que comandou o time catalão.

Ele também está envolvido em outra investigação, relacionada à transferência de Neymar do Santos para o Barcelona em 2013. As acusações surgiram após o grupo de investimento DIS afirmar que recebeu um valor menor do que o correto pela transferência, porque parte da quantia paga não foi informada.

Rosell está preso há quase 21 meses. A expectativa é para que o seu julgamento dure dez dias, em diferentes sessões. Além dele, sua esposa e outras quatro pessoas são investigadas por supostas irregularidades.

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