Pierre Philippe Marcou/AFP
Pierre Philippe Marcou/AFP

Rosell vai a julgamento por lavagem de dinheiro em negociações com a CBF

Ex-presidente do Barcelona, sua mulher e outras quatro pessoas também respondem por formação de quadrilha

EFE, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2018 | 11h11

A juíza Carmen Lamela encaminhou nesta sexta-feira o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell, sua mulher e outros quatro investigados a julgamento por lavagem de dinheiro em negócios com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de fixar fiança para Rossel no valor de 78,6 milhões euros (R$ 340 milhões), que precisam ser depositados nas próximas 24 horas.

 

Na última quarta-feira, a Promotoria da Audiência Nacional espanhola apresentou por escrito a acusação contra o dirigente, solicitando uma pena de 11 anos de prisão por crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa, assim como multa de 59 milhões de euros (R$ 256 milhões).

Além da fiança imposta a Rosell para cobrir as possíveis responsabilidades civis que uma eventual sentença pode impor, a juíza da Audiência Nacional reivindica também fiança para os outros cinco envolvidos no caso, que totalizam mais de 190 milhões de euros (superando a casa dos R$ 800 milhões). Lamela igualmente faz pedidos de prisão que somam 38 anos e multas, que ultrapassam a casa dos 140 milhões de euros (R$ 607 milhões).

Os seis acusados foram investigados na Operação Jules Rimet, deflagrada em maio de 2017 na Catalunha, que mantém o ex-presidente do Barça detido desde então.

O pedido da Promotoria afirma que os acusados, "pelo menos desde 2006, formaram uma estrutura estável, reforçada por vínculos de amizade e parentesco, dedicados à lavagem de capitais em grande escala", tudo comandado por Rosell, para "permitir a realização de determinadas operações cuja finalidade era a incorporação ao trânsito legal de lucros obtidos em atividades penalmente relevantes cometidas em qualquer país do mundo".

O dirigente e a mulher teriam ficado com um terço de 20 milhões de euros (R$ 87 milhões) que foram obtidos por Ricardo Teixeira, presidente da CBF entre os anos 1989 e 2012, em comissões ilegais pelos direitos de transmissão de 24 amistosos da seleção brasileira e de um contrato de patrocínio com a Nike.

O dirigente espanhol alegou em sua defesa que o dinheiro se referia a uma devolução de empréstimo que o ex-mandatário da CBF tinha feito, justificativa que não foi aceita na investigação. Parte dessa quantia ainda foi parar nas contas do ex-secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke (mais de R$ 3 milhões), também investigado por corrupção.

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