Rosenberg revela ter planos ousados para o Corinthians

Vice-presidente de marketing pede R$ 100 milhões para transmitir os jogos do clube na Série B

Entrevista com

Cosme Rímoli, Jornal da Tarde

19 de fevereiro de 2008 | 09h56

Mais de R$ 100 milhões de dívidas e total falta de credibilidade no mercado financeiro e na sociedade. Clube investigado pela Polícia Federal e time rebaixado para a Série B. Nem quando foi auxiliar do ministro Delfim Netto no final da ditadura ou quando trabalhou na criação do Plano Cruzado, o economista Luís Paulo Rosenberg encontrou desafio tão grande: ser vice-presidente de marketing do Corinthians. Veja também: Mano Menezes sai de julgamento apenas com uma multa "Ele é um gênio!", resume o presidente do clube, Andrés Sanchez, ao falar de Luís Paulo Rosenberg, que aceitou ficar apenas um ano no cargo - nem um dia a mais, ele jura. Agora, promete fazer uma verdadeira revolução no marketing do Corinthians. JT - O que fez o senhor assumir esse cargo?Rosenberg - O mais alucinado amor que eu tenho: o Corinthians. Não é racional o que o verdadeiro corintiano sente por esse clube. Ter o prazer de tratar essa marca tão forte de maneira profissional me dá um prazer imenso. Meus sócios quiseram me matar. Não tenho tempo para nada na minha agência, mas para o Corinthians não diria não. Qual o potencial da marca Corinthians?Um potencial fantástico que estava abandonado. Decidimos fazer uma coisa rústica, vender umas camisetas para os sócios e aí nasceu o movimento ‘Nunca Vou Te Abandonar’, que já vendeu mais de cem mil camisetas. O marketing no futebol brasileiro é primitivo. No Corinthians, ele não existia. Nós temos uma dívida de R$ 100 milhões. É alto, mas o marketing vai fazer o seu papel e ajudar o Corinthians a ter o que o esporte moderno exige: lucro. Nosso clube não pode dever nada a ninguém. Como o amor da torcida pode trazer dinheiro ao Corinthians?Trabalhando para a torcida. Temos cerca de 30 milhões de consumidores apaixonados. Vamos retratar essa torcida no nosso novo escudo. Vamos tirar todas as estrelas e colocar uma só e embaixo dela o nome Fiel. O Andrés andou falando em colocar uma coroa, mas estrela é melhor. Todo corintiano vai querer ter a Fiel no peito. E a Nike vai fazer camisas mais baratas para os nossos torcedores mais pobres que não agüentam pagar R$ 190,00 por uma camisa. O senhor está amedrontando as tevês. Quanto vão ter de pagar para mostrar o Corinthians na Série B?Olha, o mundo do futebol vai querer ver os nossos jogos na B. Eu e o Andrés visitamos todas as emissoras: Band, Record. Mas eu sei que será a Globo mesmo quem vai mostrar. Vamos definir os preços juntos. A minha pedida é de R$ 100 milhões. Sou um cara de diálogo e aceito negociar. Mas o Corinthians é estrela e merece preço de estrela. O senhor também vai representar o Flamengo na renovação de contrato com a Globo em 2009?Vou representar o Corinthians, o Flamengo e o São Paulo. Os clubes de maior popularidade do Brasil e o que mais ganhou nos últimos anos estão juntos. Pela primeira vez isso acontece no Brasil. Os clubes estão acordando para a sua força. Chega de migalhas. Sei o quanto a tevê ganha mostrando os nossos jogos e quero ganhar o que merecemos. Não está na hora de o Corinthians lutar para ter um canal só seu para mostrar os seus jogos?Não. Não é um projeto realizável no Brasil com as atuais leis. O que é fundamental é o Corinthians ganhar o que merece. O senhor apresentou também uma idéia a Andrés Sanchez em relação ao técnico Mano Menezes. Qual é?Para revolucionar o futebol brasileiro nós temos de revolucionar o nosso clube. Chega de trocar treinadores como trocamos de camisa. Eu falei com o Andrés e está na hora de fazer como a NBA, onde os treinadores duram seis, oito anos. Eles tem uma proposta de trabalho com um executivo de uma empresa. É isso que queremos no futebol. Vamos fazer uma proposta de muitos anos para o Mano Menezes.  No projeto da Timão TV ou Sócio Torcedor não existe a figura de um jogador antigo ou atual do Corinthians. Por que não usar alguém?Porque o Corinthians é maior do que todos os jogadores. Não queremos posar de viúvas de jogadores do passado e nem como os ‘chifrudos’ depois de apostar uma campanha intensa em um atleta e depois de dois anos ele ir jogar no Palmeiras ou no São Paulo.  Os projetos se sucedem. Agora o Corinthians vai virar bebida?Não era para ninguém saber, mas vai. Vamos adotar uma cerveja e um refrigerante. Não terá o nome Corinthians, mas será a bebida do corintiano. E haverá até um energético: será o Powerbar. Teremos também o mascote do Corinthians, o batismo do Corinthians. A cada dia surge uma nova oportunidade de fazer dinheiro para o clube. A Marta será contratada para o time feminino?No primeiro ano, não. Mas acredito que há a chance real para o segundo ano, em 2009. Vamos buscar um patrocinador só para ela. O que há de verdade na briga entre o Nizan Guanaes e o Washington Olivetto por causa do Corinthians? O Nizan se afastou depois que o clube foi rebaixado?Não, nada disso. Eu adoro os dois, mas eles são duas vedetes. O Nizan é são-paulino, mas nos ajuda por causa do Andrés. E o Washington ficou um pouco chateado por não ter sido chamado antes do Nizan. Só que já está tudo resolvido. Estão ajudando de longe. Eu consegui uma equipe ‘mágica’ de publicitários que resolveu nos ajudar de graça. Como lidou com o rebaixamento?Eu sou uma pessoa completamente apaixonada pelo Corinthians. É insano o que eu sinto. Chorei e chorei muito. A dor foi forte demais. Eu não acreditei no que aconteceu. Chorei e jurei que iria ajudar com todas as minhas forças para que nunca mais isso acontecesse. O Andrés jura que sai depois de 2012 se for reeleito. Estão fazendo a revolução para entregar o clube à oposição?Somos democráticos, mas não ingênuos, nem burros. Se trabalharmos bem como queremos, faremos o sucessor do Andrés. O senhor é candidato?Eu? Eu saio do Corinthians no final deste ano. Vou fazer tudo o que puder até dezembro. Tudo. Depois não há a menor chance de continuar. Já dei a minha contribuição para o meu sonho: ser campeão da Libertadores. Esse é o sonho da minha vida.

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