Roth segue o mesmo estilo de Felipão

Ler jornais eventualmente, assistir pouca tevê, quase nunca ouvir rádio, não ter vergonha de armar um time retranqueiro quando necessário e investir parte do escasso tempo dando apoio emocional e social aos jogadores. Essa filosofia de trabalho serve como explicação para o sucesso de Celso Roth no Palmeiras.Há dois meses como treinador do clube, período no qual comandou o time em 14 jogos, com 11 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, esse gaúcho vive uma situação singular. Depois de um início tumultuado, quando chegou a ser chamado de burro pelos torcedores, ele, aos poucos, foi impondo seu jeito de trabalhar e agora pode protagonizar um fato inédito: conquistar, além do título continental, dois campeonatos mundiais de clubes (o da Fifa, que será disputado no fim de julho e começo de agosto na Espanha, e o Mundial Interclubes de Tóquio) no mesmo ano. Além disso, leva nas costas a responsabilidade de manter a tradição de boas performances gaúchas à frente da equipe. A posição já foi ocupada por Oswaldo Brandão e Luiz Felipe Scolari.Para transformar tudo isso em realidade, o técnico revelou sua estratégia. "Vamos continuar trabalhando forte e quem achar que, por causa de um resultado como o do último jogo, tudo está bem, vai ficar fora", garantiu o ?xerifão? da Academia de Futebol, citando a goleada por 5 a 2 sobre o Cerro Porteño, que garantiu o primeiro lugar da fase de classificação da taça Libertadores da América. "Começamos nosso trabalho num momento muito conturbado e só agora estamos conseguindo ajustar a equipe. Por isso ainda temos muito o que melhorar", disse, exigente.Roth lembra que, quando chegou ao Palmeiras, encontrou um elenco em frangalhos. "Não tínhamos um grupo, tínhamos apenas um agrupado", exemplificou. Sua estratégia para sair daquela situação foi adotar a simplicidade como doutrina. Então optou por jogar pelo resultado. Assim ganharia tempo para trabalhar as idéias que de fato julgava importantes para o momento. "Armei um time defensivo mesmo, com três zagueiros e seis no meio de campo para evitar as derrotas", revelou. "Com o passar do tempo os jogadores entendiam nossa proposta, nós já nos conhecíamos melhor e pude ir soltando a equipe."Auto-defesa - Admirador confesso da forma de ser e atuar de Scolari, Roth adota atitudes parecidas com as do atual técnico do Cruzeiro, como o jeito de medir as palavras. Partindo do princípio de o que o torna um treinador de futebol profissional é o conhecimento técnico diferenciado que tem sobre a modalidade, Roth procura ao máximo evitar a influência alheia. "Por isso procuro não ter contato com jornais e programas de televisão e rádio", explicou. "Quando os treinadores entenderem que a opinião da imprensa dura apenas 48 horas, a coisa vai ficar mais fácil", afirmou. "Agora, se você me pergunta se eu sou exceção nesse caso, te digo que talvez seja mesmo."Outra característica que lembra Scolari é a forma de agir diante da imprensa. Roth adota a velha estratégia do ?ataque é a melhor defesa?. Claro que não se trata de agressões físicas, muito menos verbais. Ele simplesmente tenta intimidar os jornalistas antes mesmo de saber quais perguntas terá de responder.A idéia é manter-se no comando, jamais submisso aos ?interrogatórios?. Para isso, dissimula com caras e bocas, olha para os lados, faz questão de demonstrar que aquilo o entedia e incomoda. Ironiza - "estou aqui ao seu dispor" -, mas torce para que, no final de sua resposta, ninguém emende nova pergunta.

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