Rubinho critica diretoria do Corinthians

Janeiro ainda está em sua primeira quinzena, o time nem se apresentou para iniciar os trabalhos para essa temporada, mas a diretoria do Corinthians já está diante da primeira crise de 2004. E olha que não é pequena. O protagonista é o goleiro Rubinho. Inconformado com o tratamento que recebeu dos dirigentes desde o fim do ano passado, o jogador, notoriamente calado e dono de um temperamento tranqüilo, atirou para tudo quanto foi lado. O tom de voz permaneceu o mesmo. Porém, o conteúdo das declarações abalou o clima no Parque São Jorge.Os alvos favoritos de Rubinho foram o presidente Alberto Dualib e o vice de Relações Públicas, Francisco Papaiordanou. Sem disfarçar sua decepção, o goleiro fez questão de demonstrar seu descontentamento em relação à declaração dada por Dualib na quarta-feira, durante apresentação do goleiro Fábio Costa. "Realmente ele (Fábio Costa) vem para ocupar uma posição na qual estamos carentes", afirmou o cartola, envolvido na confusão na qual se tornou o evento.Para Rubinho, que foi revelado no próprio clube, é tradição do futebol brasileiro o descaso e a desvalorização dos denominados "prata da casa". "Infelizmente isso é normal. Os clubes valorizam apenas os jogadores nos quais investem muito dinheiro, seja na contratação ou no pagamento de salários altos", desabafou, em entrevista à Rádio Jovem Pan. "Já para nós, que só precisamos de um prato de comida e alojamento, quase não precisamos de investimento, ninguém liga muito."Rubinho não comentou, mas pessoas próximas a ele garantem que sua maior irritação aconteceu na véspera do Natal. Papaiordanou teria telefonado para sua casa e lhe assegurado que o Corinthians não contrataria outro goleiro. O irmão de Zé Elias, que há anos aguardava chance de ser titular e nas últimas temporada travou duelo acirrado com Doni, agora no Santos, viu desmoronarem sua pretensões com a chegada de Fábio Costa.Ficou um sentimento de desprestígio, de falta de reconhecimento. O "prata da casa" corintiano ainda não entende o porque de só em seu clube não ser reconhecido como um grande goleiro. Nem mesmo as seguidas convocações e atuações pela seleção brasileira na maioria das categorias de base foram suficientes para lhe dar prestígio no Parque São Jorge. "É complicado apontar um motivo que explique isso?, costuma dizer quando indagado sobre o assunto.Outros ares - A solução foi simples. Depois de 17 anos no clube, Rubinho quer deixar o Corinthians. "Acho que o momento é esse. Preciso e quero jogar. Estou aberto para qualquer clube que me proporcione isso?, afirmou. Seu destino mais provável é o Grêmio, que há poucos dias dispensou o experiente Danrlei. "Ainda não sei de nada. Meu pai é que está cuidando dessa parte e, por enquanto, não me passou nenhuma informação a respeito."Um detalhe, porém, não muda. Independentemente do clube que defenderá em 2004, Rubinho ainda sonha com a Olimpíada de Atenas. Mas, para chegar lá, sabe que precisa estar em atividade.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2004 | 19h53

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