Christophe Simon/AFP
Christophe Simon/AFP

Rússia e Egito se enfrentam com o mesmo objetivo: fazer história

Segunda rodada do Grupo A começa nesta terça-feira, às 15 horas, na Arena Zenit, em São Petersburgo

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2018 | 05h00

São 245 milhões de pessoas de duas nações que gostam de futebol, mas as atenções de Rússia e Egito estão voltadas para um único cidadão: Mohamed Salah. As seleções se enfrentam nesta terça-feira, às 15 horas (de Brasília), na Arena Zenit, em São Petersburgo, pela segunda rodada do Grupo A da Copa do Mundo. E a dúvida que paira sobre o duelo é se o atacante, que tem encantado fãs por todo planeta com seu talento no Liverpool, terá condições de atuar.

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Uma vitória da Rússia encaminha a anfitriã para uma inédita classificação às oitavas de final, depois dos três pontos obtidos na estreia em goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita. Uma derrota do Egito praticamente acaba com o sonho de alcançar a segunda fase do torneio também pela primeira vez em sua história. Atmosfera para jogo tenso.

Salah não joga desde o dia 26 de maio, quando machucou o ombro na final da Liga dos Campeões da Europa. De lá para cá, tem feito fisioterapia intensiva e treinamento específico para entrar em campo por seu país no Mundial. Na estreia diante do Uruguai não deu. Ele treinou normalmente nesta segunda-feira, mas o técnico argentino Hector Cúper mantém mistério sobre a participação ou não do jogador. "Tomara que ele possa atuar, estou otimista", afirmou o treinador, sem dar pistas. A definição ocorrerá uma hora antes da partida.

O atacante é a esperança do Egito para realizar uma campanha histórica na Copa do Mundo. O país dos faraós e das famosas pirâmides esteve em apenas duas edições anteriores, em 1934 e 1990. Nunca passou da primeira fase.

 

O atleta de 26 anos, nascido em Basyoun, quer levar os egípcios para a segunda fase do Mundial da Rússia e dar alegria a seu povo por meio do esporte. Por enquanto, tem ajudado fora das quatro linhas ao comprar um terreno para construção de uma estação de tratamento de água em sua cidade-natal, construir um hospital e uma escola e comprar ambulâncias, incubadoras para bebês e alimentos para famílias necessitadas.

Mas a seleção da Rússia não está interessada na idolatria de Salah junto à população de seu país ou suas benfeitorias a seus conterrâneos. A equipe do técnico Stanislav Cherchesov está preocupada se o atacante estará ou não dentro de campo.

É a capacidade de Salah para decidir os jogos que tira o sono dos russos. Afinal, o Egito com Salah é um adversário. Sem ele, é outro. O atacante é um dos melhores do mundo na atualidade - foi eleito o melhor jogador do Campeonato Inglês ao marcar 32 gols e dar 11 assistências. Seu poder de decisão é comparado ao de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar.

Talvez para incentivar os atletas russos, o treinador tem evitado dar tanta importância para o astro egípcio. "Confio em meus jogadores e no que eles são capazes de fazer, jogue Salah ou não", afirmou Stanislav Cherchesov.

A surpreendente goleada por 5 a 0 sobre a Arábia Saudita na estreia é um ponto que, de fato, leva a Rússia a seguir motivada para o confronto contra os africanos. Em casa e contando com o apoio de seus torcedores, a seleção disputa a sua quarta Copa com o objetivo de passar da fase de grupos pela primeira vez na história. As participações em 1994, 2002 e 2014 não empolgaram.

Agora, os russos querem dar um passo de cada vez para fazer história. "Não pensamos no futuro e não queremos fazê-lo", disse o técnico, tirando mais uma vez a pressão pelo melhor desempenho do país em Copas. No fundo, Stanislav Cherchesov e os 147 milhões de russos sabem que, com Salah do outro lado, a história pode ser diferente. Hector Cúper e os 98 milhões de egípcios também sabem disso.

 

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