Tatyana Makeyeva / Reuters
Tatyana Makeyeva / Reuters

Rússia garante que não vai repetir os problemas do Brasil com 'elefantes brancos'

Presidente do Comitê Organizador Local da Copa explica que a maioria dos estádios pertencem a 'times com patrocinadores estáveis'

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2018 | 06h59

As autoridades russas garantem que não terão os mesmos problemas enfrentados pelo Brasil depois da Copa do Mundo de 2018, principalmente no que se refere à subutilização de estádios do Mundial. "Não prevemos nenhum problema como o Brasil teve", disse o presidente do Comitê Organizador Local da Copa, Arkadi Dvorkovich, numa referência aos diversos problemas com os estádios usados na Copa de 2014. Pelo menos três deles estão abandonados, quatro anos depois do Mundial, enquanto outros continuam a ser um desafio financeiro para clubes e cidades.

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"No nosso caso, a maioria dos estádios tem times", disse o russo. "A maioria desses clubes tem patrocinadores estáveis e apoio de autoridades locais. A combinação dos dois fatores vão permitir que esses estádios sejam usados", disse, lembrando que mesmo o estádio Luzhniki será em parte bancado pelas autoridades de Moscou.

 

Alexey Sorokin, CEO da Copa, estima que a existência de um novo estádio aumente em 40% a presença de torcedores em jogos.

Apesar do discurso oficial, a realidade é que o embate entre cidades e o governo central tem sido constante. O Comitê Organizador Local explicou ao Estado que um fundo com recursos públicos foi criado para manter as arenas por dois anos. Até lá, os clubes locais e prefeituras precisam encontrar um plano para assumir os estádios e passar a usá-los de forma financeiramente viável.

O governo russo deve destinar aos estádios um total de US$ 31 milhões (R$ 119 milhões) até 2020 em gastos com operações. Mas sete dos doze estádios da Copa serão inteiramente bancados pelo novo fundo criado pelo Kremlin, em gastos que podem chegar a US$ 8 milhões (R$ 30,8 milhões) em manutenção apenas em 2019. Além de quatro estádios que abandonam o Mundial depois da fase inicial, vão se beneficiar do pacote ainda as arenas de Nijni Novgorod e Samara.

No caso de Kaliningrado, antes mesmo de a Copa começar o governador local, Anton Alikhanov, fez uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin para pedir dinheiro. O único time local é o FC Baltika, da segunda divisão, que não tem ilusões sobre sua capacidade de lotar um estádio com 35 mil lugares.

Em Volgogrado e Nijni Novgorod, os clubes locais não conseguem passar de um público médio de 5 mil pessoas. No caso de Saransk, a equipe da cidade está na terceira divisão. 

Já em Sochi, que hoje não conta com um clube, a negociação é para que o Dínamo de São Petersburgo se mude para o balneário em 2019. Segundo o presidente do COL, um time ja foi registrado e deve começar a operar na cidade a partir do ano que vem. 

Mas os times que atuam na primeira divisão de Ecaterimburgo e Rostov não chegam a vender mais de 9 mil entradas por jogo. Por isso, no caso de Ecaterimburgo, o estádio foi construído com arquibancadas móveis - uma espécie de "puxadinho". Assim, a capacidade de 35 mil lugares será reduzida para apenas 23 mil, num esforço de o manter sustentável.

 

 

 

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