Ivan Sekretarev/AP
Ivan Sekretarev/AP

Rússia reforça a segurança com medo do terrorismo na Copa do Mundo

Ameaças recentes do grupo Estado Islâmico fazem Fifa, autoridades locais e organizadores aumenta os cuidados

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2017 | 07h00

A pouco mais de sete meses do início da Copa da Rússia, a preocupação da Fifa e dos organizadores do Mundial com o atraso nas obras de alguns estádio ficou em segundo plano. O principal motivo de apreensão hoje está ligado à segurança. É a ameaça do terrorismo. O risco de atentados sempre foi considerado, mas a tensão aumentou nas últimas semanas, depois que Estado Islâmico passou a fazer propaganda utilizando imagens de atletas do torneio para disseminar ameaças.

A nova ofensiva começou em outubro. O grupo já publicou cartazes com montagens em que Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar são degolados ou mortos a tiros. O técnico da França, Didier Deschamps, também foi alvo, assim como alguns estádios da competição, como o Luzhniki, da capital Moscou.

+ Messi, Neymar, Cristiano Ronaldo são ameaçados por grupo ligado ao EI

Todas as manifestações tinham mensagens ameaçadoras. “Esperem por nós’’; “Nós vamos continuar aterrorizando vocês e arruinando suas vidas” e “Você está lutando contra um Estado que não tem ‘fracasso’ em seu dicionário”, são algumas das mensagens do grupo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o da Rússia, Vladimir Putin, também já foram alvos dos jihadistas. Putin, aliás, é acusado pelo Estado Islâmico de ser responsável pela morte de um de seus líderes, Abu Bakr al-Bagdadi, em ataque do exército russo a Raqqa, na Síria, ocorrido em maio deste ano. Porém, até hoje não há confirmação de que Al-Bagdadi foi morto.

As ações do Estado Islâmico levaram a Fifa, o Comitê Organizador Local e o governo russo a aprofundarem as discussões sobre a segurança de delegações e torcedores durante a Copa – e mesmo antes. FBI e Interpol colaboram em nível de investigação. O temor é de que o grupo realmente cumpra as ameaças. Por isso, o esquema de segurança têm sido revisto, atualizado e reforçado. Reuniões frequentes, presenciais ou virtuais, têm ocorrido para tratar do tema.

“Os terroristas preocupam mais que os hooligans russos, pois estes, por piores que sejam, são conhecidos e estão sendo monitorados com rigor. Mas, de parte desses grupos radicais, sempre há risco de surpresa’’, comentou ao Estado fonte que tem acompanhado a aflição existente na Fifa.

Publicamente, a entidade foge de qualquer posição alarmista e diz acreditar plenamente no trabalho dos russos nesta área. “A Fifa tem plena confiança nos arranjos de segurança e no conceito abrangente de segurança desenvolvido pelas autoridades russas e pelo Comitê Organizador Local da Copa do Mundo’’, informou a entidade ao Estado por meio de um porta-voz. “Conforme demonstrado durante a Copa das Confederações, os já altos padrões de segurança na Rússia foram adaptados para corresponder às necessidades específicas de tais eventos esportivos principais.’’ Havia revistas, por exemplo, em todas as estações de metrô de Moscou em quem estivesse com mochilas, bolsas e malas.

A Fifa acrescenta que está em contato constante com as partes interessadas sobre a avaliação de risco em andamento.

O Comitê Organizador ressalta que a segurança é uma das principais prioridades da Rússia, diz que uma “estratégia abrangente” foi implantada com sucesso nas Confederações, continua em vigor, e que há evolução constante nos protocolos de segurança no país.

“À medida que nos aproximamos da competição, as discussões entre as autoridades russas, Fifa, associações participantes e órgãos responsáveis pela implementação dos acordos de segurança estão em andamento”, informou o comitê, por nota. “Cenários para prevenir todos os tipos de ataques potenciais ou incidentes violentos são, como de costume, levados em consideração.”

INFILTRADOS

O monitoramento dos grupos terroristas ligados ao Estado Islâmico levou à descoberta recente de ações para infiltrar simpatizantes entre os voluntários que trabalharão na Copa. A consequência é que todos os inscritos serão reavaliados de forma rigorosa – os estrangeiros pelas autoridades da área de segurança de seus respectivos países – e a ordem é de rejeitar o voluntário em dúvida.

Outra medida será uma vigilância mais forte sobre os torcedores, russos e estrangeiros, que forem aos estádios. Todos terão de ter, além do ingresso, o “passaporte do torcedor’’, chamado de FanID. Com foto, terá informações do portador, desde características físicas a informações como endereços de hospedagem, até para que possam ser checados de surpresa. Esse documento já foi utilizado na Copa das Confederações.

Todos os hotéis terão detectores de metal. Nas arenas, a revista será rigorosa. Mesmo quem for trabalhar, como jornalistas, terá de passar por verificações nos equipamentos eletrônicos. “Não obstante a estratégia abrangente de segurança em vigor, as respectivas medidas serão implementadas de forma a garantir os mais altos padrões com menos limitações à liberdade pessoal”, informa ainda o Comitê Organizador.

As forças de segurança da Rússia estão em alerta, até para evitar que algo ocorra antes da Copa. No próximo dia 11, a Argentina joga em Moscou com a seleção local. E no dia 14, contra a Nigéria, em Krasnodar. Depois que Messi foi ameaçado, os cuidados com a delegação argentina serão redobrados.

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