Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2017 | 07h00

As dimensões continentais da Rússia desafiam a Fifa para a Copa do Mundo de 2018. Por isso, a Copa das Confederações, que começa em junho deste ano e reunirá oito seleções, servirá como teste não apenas para as arenas, mas também à logística e aos deslocamentos de delegações e torcedores. A Rússia é o maior país do mundo, com mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, nove fusos horários e várias diferenças geográficas e climáticas.

A Copa das Confederações será “compacta”. Terá quatro sedes: São Petersburgo, Moscou, Kazan e Sochi. No Mundial, serão 11 cidades-sede e 12 estádios (Moscou conta com duas arenas). Para escolher as sedes da Copa das Confederações, a Fifa levou em conta também as distâncias entre as cidades.

Nenhum deslocamento demorará mais do que três horas. Esse é o tempo de avião entre Sochi e São Petersburgo, praças mais distantes entre as sedes da competição: são 2 mil quilômetros (o equivalente ao trecho entre São Paulo e Salvador).

Para facilitar as viagens na Copa do Mundo, a tabela será montada para que nenhuma seleção tenha de jogar em Kaliningrado (incrustada entre Polônia e Lituânia, na região Oeste da Rússia) e Yekaterinburgo (cidade-sede mais ao Leste do País). Localizadas em lados opostos do país, as duas cidades estão a 3 mil quilômetros de distância. Quem atuar em uma das duas cidade não atuará na outra.

“Nos esforçamos para garantir a logística mais confortável possível para as equipes e os torcedores. O tempo médio de voos entre os locais de jogos será de 1h45”, disse ao Estado o diretor executivo de Competições e Eventos da Fifa, Colin Smith.

Com relação aos estádios, a maior preocupação da Fifa está na Zenit Arena, em São Petersburgo. A arena está em obras e o primeiro evento foi realizado só no fim de semana passado. O estádio Fisht, em Sochi, foi inaugurado para receber os Jogos Olímpicos de Inverno, em 2014, e agora passa por reparos de adaptações para ter o seu primeiro grande evento de teste.

Os outros dois estádios que serão usados na Copa das Confederações estão em funcionamento e recebem regularmente jogos do Campeonato Russo. São a Kazan Arena, em Kazan, e o Spartak Stadium, em Moscou.

Todas as seleções participantes da Copa das Confederações já estão definidas. No último domingo, Camarões conquistou a Copa Africana de Nações e garantiu a última vaga. Também disputarão o torneio: Rússia (país-sede), Alemanha (campeã do mundo) e mais cinco atuais campeões continentais: Portugal (Europa), Chile (América do Sul), México (América do Norte), Nova Zelândia (Oceania) e Austrália (Ásia).

A Fifa vai distribuir US$ 20 milhões (R$ 62,3 milhões) em prêmios para as oito seleções, mesmo valor pago há quatro anos na Copa das Confederações realizada no Brasil. O campeão receberá US$ 4,1 milhões (R$ 12,7 milhões) e o segundo colocado ganhará US$ 3,6 milhões (R$ 11,2 milhões). Mesmo quem não passar da primeira fase terá direito a US$ 1,7 milhão (R$ 5,2 milhões).

FORA DA FESTA

O Brasil participou das sete primeiras edições da Copa das Confederações, conquistou quatro títulos e, pela primeira vez, não disputará o torneio. Uma semana antes da abertura do evento na Rússia, a seleção tem agendado amistoso com a Argentina, em Melbourne, na Austrália. Representantes da CBF, no entanto, devem acompanhar o torneio in loco para analisar o desempenho dos possíveis rivais e conhecer as instalações e a logística para o Mundial de 2018.

Líder das Eliminatórias da América do Sul, o Brasil, de Tite, precisa de um empate para garantir presença no Mundial.

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‘Todas as informações da Copa no Brasil foram transferidas’, diz diretor da Fifa

Sete brasileiros estão trabalhando em áreas operacionais relacionadas à realização do próximo Mundial

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2017 | 07h00

A realização da Copa das Confederações na Rússia no meio do ano está sendo acompanhada de perto pela Fifa. A entidade está utilizando as informações obtidas no Mundial realizado no Brasil, em 2014, como forma de evitar que alguns problemas sejam repetidos.

De acordo com Colin Smith, diretor executivo de Competições e Eventos da Fifa, sete brasileiros trabalham em áreas operacionais da organização da próxima Copa, a fim de passar a experiência da competição realizada em solo brasileiro.

Como estão as obras para a Copa das Confederações?

Restando pouco mais de quatro meses para o torneio na Rússia, estamos chegando perto da fase de testes, com eventos nos estádios. Esses eventos-teste são essenciais para identificar problemas e treinar as equipes operacionais envolvidas em tráfego, gerenciamento de filas, segurança, voluntários e fluxos de torcedores. Concluímos a primeira fase da venda de ingressos e vamos retomar a comercialização em 1.º de março. Além disso, recebemos um número recorde de pedidos de voluntários, quase 180.000 pessoas, sendo que mais de um quarto veio de fora da Rússia.

O Brasil teve muitos problemas com atrasos na construção de estádios para a Copa do Mundo de 2014. O que a Fifa aprendeu para que os mesmos erros não sejam cometidos na Rússia?

Quando você fala sobre grandes projetos de construção, como um estádio de futebol, você pode enfrentar todos os tipos de desafios que possam existir. Como em qualquer projeto desse porte, é importante ter monitoramento no local e abordar (regularmente) todas as questões de forma consistente e construtiva.

O Comitê Organizador Local da Rússia está trabalhando em conjunto com o Comitê Organizador Local do Brasil? Em que áreas os dois países trabalham juntos?

Os membros do comitê russo observaram e até mesmo trabalharam em vários eventos no Brasil, incluindo não só a Copa das Confederações (em 2013) e a Copa do Mundo, mas também nos sorteios (dos grupos) e workshops. Temos também um programa de transferência de conhecimento que permite que todas as informações da Copa de 2014, no Brasil, sejam armazenadas e transferidas para futuras edições da Copa do Mundo, com relatórios, melhores práticas, dicas de especialistas, fotos e vídeos. Temos ainda sete colegas brasileiros que trouxemos para trabalhar na sede da Fifa, em Zurique, depois da Copa do Mundo. Eles estão empregados em diferentes áreas operacionais relacionadas à realização dos próximos eventos na Rússia. Mas, é importante ter em mente que não há um formato definido. Cada país anfitrião é diferente, com os seus próprios desafios e estruturas, o que também significa que o know-how local é absolutamente indispensável.

A crise enfrentada pela economia russa no ano passado poderá causar problemas na Copa das Confederações?

O Comitê Organizador Local e as autoridades russas garantiram que os ajustes orçamentários não terão impacto na entrega ou no nível do serviço oferecido durante a Copa das Confederações. Já o orçamento operacional do Comitê Organizador para o torneio é totalmente coberto pela Fifa.

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