Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Rússia vira uma terra de oportunidades para brasileiros

Tradutores, agentes de viagem e empresários montaram seus empreendimentos; tem até restaurante que serve coxinha em Moscou

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

17 Junho 2018 | 05h00

Muitos brasileiros estão faturando com a Copa. São tradutores, agentes de viagem e empresários que montaram seus próprios empreendimentos e surfam na alta dos negócios. Os anos de socialismo, com apoio estatal em praticamente todas as áreas, inibiram a iniciativa dos russos como empreendedores. Com isso, outras nacionalidades estão preenchendo esse espaço. A Rússia virou a terra das oportunidades para eles. 

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O tradutor Geisiel de Santana Cruz foi para a Rússia para estudar teatro. O projeto não deu certo, mas ele gostou do idioma. Hoje, ele estuda na Primeira Faculdade de Medicina de Moscou e trabalha como professor particular de português para estrangeiros, faz traduções escritas e é tradutor acompanhante em eventos. Seu trabalho atual daria inveja a muito torcedor: foi contratado pela CBF para auxiliar a seleção com tradução e logística na Copa. "Eu não sabia, pois a contratação foi conduzida pelo Comitê da Copa. Fiquei emocionado quando soube que ia trabalhar com a seleção." 

 

Há quatro anos, o empresário Henrique Bordallo se casou com uma russa. Em seus primeiros dias no país, recebeu um "tratamento vip" para vivenciar a cultura e os costumes locais. Foi essa ideia de acolhimento que ele adotou ao montar uma agência de viagens com foco em brasileiros, há quatro anos. 

Hoje, ele atende turistas e o mercado corporativo. Recebe cerca de 500 brasileiros por ano, mas a expectativa é dobrar de tamanho após o Mundial. "A Copa será muito importante para mostrar o outro lado da Rússia, um lado amigável e que gosta de receber os turistas", diz Henrique.

 

Depois de morar na Itália, Aron Lobo começou seu negócio com uma cafeteria em Moscou. Aos poucos, começou a atender festas e empresas - hoje, é o primeiro restaurante brasileiro da capital. E já existem planos de abrir outras unidades. 

Seu maior desafio é reproduzir os sabores, pois ele não encontra todos os ingredientes, como mandioca, por exemplo. "A gente precisa usar a criatividade", afirma. Um dos diferenciais do restaurante é a coxinha, raríssima em Moscou. O sabor, a textura e a consistência são idênticas à brasileira - o Estado comprovou. 

 

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