Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Russos festejam a Copa do Mundo em praças e restaurantes

País finalmente abraça o Mundial, após começo indiferente em relação ao torneio

Gonçalo Junior, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2018 | 05h00

Logo após a entrada do Parque Gorky, principal área verde de Moscou, adultos e crianças fazem de conta que são goleiros em uma piscina de bolinhas montada embaixo de uma enorme trave de plástico. No centro da cidade, as tevês dos restaurantes atraem a atenção de quem passa, mesmo no jogo menos importante deste domingo, a vitória da Sérvia sobre a Costa Rica. Na Praça Vermelha nem se fala: várias torcidas desfilaram o dia todo, como acontece desde que a Copa começou. No primeiro domingo do torneio na Rússia, o Mundial se espalhou por vários pontos da capital. Os russos compraram finalmente a ideia da Copa.

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A presença do futebol no Parque Gorky é um marco. Nos verões, o local fica lotado de moradores e turistas. É onde os moscovitas celebram de maneira simbólica os dias de verão. Situado às margens do Rio Moscou, ele possui fontes, esculturas, jardins, quadras de vôlei, mesas de pingue-pongue, lago com pedalinhos. Foi nesse cartão-postal da cidade que a Copa do Mundo começou a mostrar sua cara.

A piscina de bolinhas foi montada por uma marca de eletroeletrônicos para mostrar os diferenciais de uma nova câmera instalada no gol. Os russos fizeram fila para viverem momentos rápidos como goleiros. Crianças e adultos. “A Copa vai fazer com que os russos gostem mais de futebol”, diz o empresário Alexei Evdonov depois de uma grande defesa em frente à fonte.

Ainda não é uma mania ou uma febre, mas os sinais estão por toda a parte. Na área da alimentação do Parque Gorky, o bar Medovuha deixa uma tevê ligada na hora dos jogos para atrair os clientes que procuram lanches e sucos. É a estratégia mais comum no Brasil. Em Moscou, também funciona. “Na hora dos grandes jogos, muita gente fica acompanhando os jogos da Copa”, comemora a vendedora Yulia Kurkova. No meio da tarde em Moscou, quando a Sérvia vencia a Costa Rica, pouca gente parou. A situação mudou bastante na derrota da Alemanha para o México. O local virou quase uma arquibancada.

 

No restaurante vietnamita Bo, o mais cheio do parque, a tevê que estava no centro do salão principal estava quebrada. O gerente prometeu que vai consertá-la nesta semana.

Em outro ponto da capital russa, a exposição Footb-all Mix convidou 32 artistas gráficos – um de cada país que disputa a Copa – para que se expressassem sobre o futebol como uma linguagem visual universal. O resultado foram 32 painéis que se transformam em motivo de fotos e selfies para os visitantes. “São belos trabalhos. O futebol pode inspirar as pessoas com a energia e a vontade de vencer dos jogadores”, disse Olga Petrapavova.

Os endereços mais óbvios do futebol também estão comemorando o aumento do interesse. O bar esportivo Hooters conseguiu neste domingo o maior público desde que o Mundial começou. Foi na partida entre Brasil e Suíça. Eram 450 pessoas, a maioria em pé. Nos primeiros jogos, o número ficou em torno de 300. “O clima da Copa do Mundo está aqui”, celebrou o gerente Ramazan, que não quis fornecer o sobrenome, apontando para o lugar apinhado de torcedores de várias seleções.

 

 

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