S. Caetano ameaça ir à Justiça Comum

A CBF irá aprender a tratar o São Caetano como um clube grande. Essa foi a promessa que o presidente Nairo Ferreira fez aos seus aliados após o julgamento de nove horas da Comissão Disciplinar da CBF que acabou na madrugada de terça-feira e foi desastroso ao time do ABC em relação à morte do zagueiro Serginho. Nairo jurou que não se submeterá como fez na Copa João Havelange em 2000 e já mandou os advogados articularem a entrada na Justiça Comum preparados até para paralisar o Brasileiro.A preocupação de Nairo é explicável. Ele teme que os parceiros que financiam o clube - Casas Bahia e prefeitura de São Caetano - desistam de bancar uma equipe sem respaldo político na CBF. "Nós iremos até as últimas conseqüências. Não seremos injustiçados", prometia o advogado João Zanforlin, irritado com as duras decisões da Comissão Disciplinar e respaldado com a diretoria.As punições foram a perda de 24 pontos para o São Caetano - as oito partidas que Serginho esteve em campo -, o clube despencou de quarto para 14º na classificação; quatro anos de afastamento para o médico Paulo Forte, dois anos de banimento ao presidente Nairo e ainda multa de R$ 50 mil a serem dados à família de Serginho. A decisão do Comitê Disciplinar foi unânime.Só que cabe recurso junto ao STJD. O clube entraria com recurso ainda nesta terça-feira. O novo julgamento deverá acontecer já na próxima terça-feira ou quinta-feira. Mas as chances de o clube reverter a decisão são quase inexistentes. O STJD costuma confirmar as decisões unânimes do Comitê Disciplinar.Por isso, a determinação de Nairo de mandar Zanforlin articular a entrada de uma ação na Justiça Comum. Quer vingança. "Se Deus quiser eu paro esse campeonato", deixou escapar Nairo a um amigo. Nos bastidores da CBF há a certeza de que o dirigente não terá coragem de procurar a Justiça Comum. A sua postura submissa na decisão da Copa João Havelange de 2000 contra o Vasco da Gama o desacreditou perante os outros dirigentes. "Não sei se fosse com outro clube, um Flamengo, um São Paulo, um Corinthians, a decisão seria a mesma. Já sofremos com a morte de um amigo, de um companheiro como o Serginho. Agora nos tiram a Libertadores. É muito sofrimento junto", resume o zagueiro Gustavo.Os jogadores ficaram arrasados com as decisões do Comitê Disciplinar e com sérias dúvidas se os dirigentes conseguirão reverter o péssimo quadro. Tanto que a diretoria fez questão de levar o time para Mauá. A preparação para o jogo contra o Santos no domingo será feita longe de São Caetano e sua desacreditada torcida.

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