Saga santista vai virar filme

A conquista do bicampeonato brasileiro pelo Santos teve um enredo e tanto. No roteiro, perdas de mando de campo, erros de arbitragem, intrigas e até o seqüestro da mãe do mocinho Robinho. Mas como no final deu tudo certo, a história tinha tudo para virar filme. E vai. ?O Santos Como Você Nunca Viu? está em fase final de edição. A obra de Alexandre Ceolin e Adriano Moreno, que conviveram com a equipe durante quatro meses colhendo imagens de bastidores, vai ser distribuída, primeiramente, só aos jogadores, diretores e membros da comissão técnica. Cada um vai receber uma cópia em DVD até o final do ano.?Depois, a idéia é comercializar o filme. Depende agora da diretoria. Acho que eles vão aprovar o projeto?, diz Ceolin. ?Serão apenas imagens dos bastidores. Não terá imagens de jogos porque os direitos de transmissão do campeonato pertencem à Globo. Mas o que o torcedor quer ver mesmo é a intimidade do jogador, ver o que é falado no vestiário, nas concentrações?, acredita.No total, Ceolin e Moreno juntaram mais de 120 horas de imagens, que estão sendo editadas em equipamento especial de última geração. A maior parte das imagens são de momentos de descontração. ?Esse grupo tem uma harmonia incrível?, diz Ceolin.O ponto alto do filme, segundo ele, não é a festa do título (embora isso deva ocupar a maior parte), mas sim o retorno de Robinho após o fim do seqüestro da mãe, dona Marina. ?Tenho as imagens do Robinho se trocando no vestiário em Rio Preto, da recepção dos jogadores a ele no gramado, da alegria na concentração?, diz Ceolin, que registrou o exato momento do reencontro de Robinho com Elano, Léo e Antônio Carlos.Ceolin não é cinegrafista profissional, muito menos um cineasta. Ele é técnico em informática. Mas trabalha fazendo imagens de futebol já há sete anos. ?Comecei fazendo um projeto para as equipes de base do Cruzeiro. Depois, o técnico dos profissionais gostou e me chamou para trabalhar com ele?. O técnico em questão era Levir Culpi, atual comandante do Atlético-PR, o maior rival do Santos na conquista do bi. ?Trabalhei ainda com outros oito treinadores no Cruzeiro. Mas quem passou a valorizar mesmo o meu trabalho foi o Vanderlei Luxemburgo?, conta Ceolin.E o trabalho é audacioso, inovador. Ceolin e Moreno filmam partes do primeiro tempo do jogo e depois corre para o vestiário. No intervalo, Luxemburgo usa as imagens para passar instruções táticas para os jogadores. ?Filmamos com um ângulo bem aberto, geralmente do lado contrário onde ficam as câmeras de tevê. A idéia é fazer um retrato fiel do plano tático das equipes?, explica Ceolin, que, apesar de ser fanático por futebol, não faz nenhum comentário durante a exibição das imagens. ?Quem fala e quem escolhe o que vai ser filmado são os auxiliares do Vanderlei, o Alexandre Gallo e o Serginho Chulapa. Enquanto assistem ao primeiro tempo ao meu lado, eles vão dizendo o que é e o que não é para ser filmado?.Além dessa função, Ceolin e Moreno são encarregados também de editar jogos dos rivais do Santos. ?Pegamos o que o adversário fez de melhor no jogo anterior e juntamos tudo em 10 minutos. E aí o Vanderlei assiste e decide se passa esse compacto para os jogadores ou não?, diz Ceolin. ?Contra o Vasco, por exemplo, ele preferiu não passar imagem nenhuma, e trabalhar mais com o emocional dos jogadores?.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.