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Saiba quais são os desafios de Eduardo Baptista no Palmeiras

Técnico, que assume o lugar de Cuca, assinou contrato de uma temporada

Gonçalo Júnior, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2016 | 06h00

O Palmeiras confirmou a aposta em Eduardo Baptista como novo treinador do clube. Ele assinou contrato até o fim do próximo ano com o desafio de substituir Cuca, que conquistou o título brasileiro, mas deixou o cargo por questões pessoais. 

A palavra “aposta” não foi utilizada gratuitamente no parágrafo anterior. Embora tenha sido campeão da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano com o Sport, Eduardo ainda é um nome em ascensão. Não é um técnico ‘top’. Dirigir o campeão brasileiro é o maior desafio de sua carreira, na qual somam-se uma passagem de seis meses pelo Fluminense – a gota d’água para sua saída foram duas derrotas em clássicos – e um bom trabalho na Ponte Preta neste ano. A equipe terminou em oitavo lugar no Brasileiro. 

“É um time que está vivendo um grande momento, é o atual campeão brasileiro. Além disso, vou substituir um treinador que fez um trabalho brilhante aqui no Palmeiras”, disse Eduardo, de 46 anos, que já sabe que não poderá contar em 2017 com o principal jogador do time, o atacante Gabriel Jesus, vendido ao inglês Manchester City. 

A expectativa é grande. Depois de superar um jejum de 22 anos e conquistar o título brasileiro, o Palmeiras mira a Libertadores. Esse é o tamanho da encrenca que Eduardo vai enfrentar, e ele sabe disso. “A temporada de 2017 será importante, de Copa Libertadores”, ressalta. 

O Palmeiras decidiu escolher Eduardo depois que opções mais consagradas, como Abel Braga, tomaram outros rumos – Abelão voltou ao Fluminense. Roger Machado, que seria outra aposta, foi para o Atlético-MG.  

Gustavo Bueno, gerente de futebol da Ponte Preta, último clube de Eduardo Baptista, dá pistas do estilo de jogo que o Palmeiras terá. “Ele gosta do Atlético de Madrid”, entrega Gustavo, referindo-se ao vice-campeão europeu. O time de Simeone se destacou nos últimos anos pela marcação forte, principalmente no campo do rival, objetividade, contra-ataques mortais e força no jogo aéreo. 

O dirigente também adianta o que os palmeirenses podem esperar nos treinamentos. “Os treinos são curtos, mas intensos. Ele cobra dos atletas, principalmente na parte tática”, disse. 

Embora o acerto tenha sido firmado na semana passada, quando Eduardo deixou a Ponte, o anúncio oficial foi feito somente após a posse de Maurício Galiotte, o novo presidente. 

Eduardo Baptista se mostrou ansioso para ter a torcida palmeirense ao seu lado e – obviamente – elogiou a estrutura do novo clube. “O Palmeiras tem uma excepcional estrutura física tanto em relação ao Centro de Excelência, que está sendo finalizado, quanto ao Allianz Parque, que traz energia incrível ao time. Mas o grande trunfo é a torcida. Não vejo a hora de tê-la ao meu lado”, afirmou. 

PAI E FILHO

Eduardo é filho de Nelsinho Baptista, técnico que já foi campeão brasileiro com o Corinthians em 1990 e passou pelo próprio Palmeiras entre 1991 e 1992. A partir de 2010, construiu uma carreira sólida no futebol japonês. Em entrevista concedida ao Estado em 2014, quando começou a se destacar no futebol brasileiro, o filho afirmou que herdou o perfeccionismo do pai. “Trabalhei dez anos com ele. É uma herança forte. Aprendi a ser perfeccionista. Também foi importante participar dos momentos bons e ruins do trabalho dele”, disse. 

Eduardo trabalhou 18 anos como preparador físico, mas afirma que sempre se preparou para ser treinador. A grande chance veio em 2014, quando estava no Sport. Ele foi promovido a técnico interino para fazer dois jogos da Copa do Nordeste e acabou campeão da competição. Seu nome então ganhou respeito no cenário esportivo. 

Com graduação e mestrado em Fisiologia do Exercício, Eduardo tem duas tevês grandes na sala de sua casa, que ficam sempre sintonizadas em jogos de futebol. Ele revela que é desta forma que supre a falta de livros específicos para o aperfeiçoamento do seu trabalho.

PERFIL: QUEM É EDUARDO BAPTISTA

Preparador físico por 18 anos, Eduardo Baptista virou técnico interino do Sport na Copa do Nordeste de 2014 e acabou campeão. Em 2015, passou seis meses no Fluminense, com oito vitórias, cinco empates e 13 derrotas. Neste ano, levou a Ponte Preta ao oitavo lugar do Brasileirão.

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