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Antero Greco
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Sair de cena

O futebol brasileiro mói técnicos sem piedade. Eis a Série A deste ano para comprovar. O campeonato anda a bater não só recordes de público, mas sobretudo de dispensas de professores. Salvo engano, só não trocaram de comando Corinthians (Tite), Atlético (Levir), Sport (Eduardo Baptista) e Chapecoense (Vinicius Eutrópio). Alguns, mudaram mais de uma vez.

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 03h00

A discussão agora não recai sobre acertos ou destemperos dessas medidas. Várias se mostraram úteis, outras tantas não passaram de tentativas inúteis e expuseram péssima condução de crises. A dúvida que surge é a seguinte: quando o treinador deve fazer pausa para reflexão? 

Logo de cara, vale a premissa de que cada um sabe de si, conhece onde aperta o calo, entende das próprias necessidades. Ou pelo menos assim se supõe. Tenha-se presente, também, que o mercado influi no destino de tal profissional. Se ele tem portas abertas, se recebe convites mesmo com trabalhos insatisfatórios, sinal de que goza de prestígio e há quem confie na capacidade dele de levar as equipes a porto seguro. 

Feitas as ressalvas, vale a ponderação: às vezes, não é melhor colocar um freio temporário na carreira e reciclar-se, para voltar revigorado, rejuvenescido? Não compensa sair de cena, deixar de lado o protagonismo e se fazer desejado? A função de técnico atrai, pois dá destaque, fama, dinheiro – mesmo com os riscos de calotes. Ao mesmo tempo, desgasta como poucas. 

O motivo desta conversa? A situação de Vanderlei Luxemburgo. Ninguém nega que se trata dos mais famosos e coroados treinadores, com direito a passagem pela seleção e pelo Real Madrid e com diversos títulos brasileiros e estaduais. Um homem que surgiu com ideias atrevidas nos anos 90. 

Mas já há diversas temporadas Luxemburgo não emplaca – seja com elencos fortes, seja com grupos medianos. Não tem funcionado, é fato e não crítica. Os resultados não surgem, o discurso não muda e o constrangimento se repete. A ponto de fazer com que perca emprego duas vezes em menos de um ano – Flamengo e Cruzeiro. A tendência é a de ver estreitado campo de atuação, fenômeno que atinge colegas dele, de Joel Santana a Leão, e até ontem também a Mano Menezes. 

Luxemburgo faria bem a si se desse uma espairecida, se rodasse um pouco o mundo a espiar o que há de novo por aí. Como se propôs Tite, ao tirar um ano sabático. Ou até ficar em casa e divertir-se a ver futebol pela televisão, como Muricy Ramalho, que só quebra o retiro com entrevista aqui e ali. O distanciamento ajudaria a liberar a mente para detectar onde está o erro.

Ou, se não consegue aquietar-se, que aceite oferta de fora, como Felipão. Ao notar que a imagem sofria arranhões, após a Copa e o Grêmio, não teve dúvidas de bater asas para a China, onde ganha o dinheiro dele, enfrenta desafio novo e pavimenta o retorno. Recuo estratégico ou esquecimento definitivo. A escolha é pessoal.

DESAFIOS DECISIVOS

A partir desta noite o Corinthians engata três obstáculos para medir a capacidade não só de manter a liderança, como de aumentar a distância para os perseguidores. Começa com o Flu em casa, depois visita o Palmeiras no domingo, e termina na próxima quarta ao receber o Grêmio. Claro que há risco de perder pontos diante de rivais fortes. Mas, pela maneira como anda embalado, não será surpresa se se livrar deles. Daí, quem segurará o Mosqueteiro que ontem completou 105 anos e continua em ótima forma?

VAI OU RACHA

Palmeiras e São Paulo, com 34 pontos e a 12 do líder Corinthians, entraram na encruzilhada que não lhes permite escolher opção errada. Qualquer ponto desperdiçado significa abismo maior na corrida (sim, ainda estão nela) pela taça ou até para a Libertadores (independentemente da Copa do Brasil). Isso significa o quê? Que têm obrigação de ganhar hoje, mesmo fora de casa, porque jogam contra times na zona de rebaixamento – Goiás e Joinville.

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