Celio Messias
Celio Messias

Sal grosso e água benta ainda são trunfos no futebol moderno

Supersticioso Londrina segurou o Santos na Copa do Brasil

O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 09h00

Antes da vitória doSantos sobre o Londrina, na última quarta-feira, pela Copa doBrasil, a enfermeira do clube paranaense, dona Izonete, jogou águabenta e sal grosso no gramado do Estádio do Café na esperança dedar uma forcinha para a equipe. O objetivo era, no mínimo, perdercom poucos gols de diferença e garantir o jogo da volta, na VilaBelmiro. Deu certo. O Santos fez apenas 1 a 0, gol de Robinho, e aequipe ganhou uma sobrevida no torneio continental. E provavelmentedona Izonete vai continuar repetindo o ritual nos próximos jogos. 

NaLibertadores de 2013, o goleiro Angulo, do Zamora, jogou ramos dearruda em um dos gols no Estádio Independência na partida contra oAtlético Mineiro. A intenção de dar sorte ao time venezuelano.Nesse caso não deu certo: 1 a 0 para o Galo. Casillas, do RealMadrid, toca o travessão sempre que seu time faz um gol. Entrar nogramado com o pé direito (isso quase todos fazem os jogadoresfazem), usar amuletos e fazer o sinal da cruz são os sinaisclássicos de superstição.

A lista de manias e mandingas éextensa e comprova que o futebol ainda carrega muitos paradoxos. Osavanços da preparação física, por exemplo, com bebidas capazes derepor exatamente os nutrientes perdidos pelos atletas, caminham ladoa lado com superstições como essas da dona Izonete. Até ospróprios jogadores manifestam essa crença. A fornecedora dematerial esportivo da seleção brasileira preparou uma nova campanhana Copa de 2006 sobre o tema. 

O pai de Maicon, por exemplo, lateralda Roma e que defendeu a seleção brasileira, conta que seu paienterrou o cordão umbilical no meio de um gramado de futebol doSanta Rosa para que ele fosse jogador. Robinho, que ironizou o uso dosal grosso em Londrina dizendo que seria bom para um churrasco,confessou que seu avô, pai de santo, fez um “trabalho” para queele fosse jogador.

Esses casos não acontecem só no Brasil. Ozagueiro inglês John Terry, do Chelsea, sempre ouve o mesmo discoantes das partidas e estaciona o carro na mesma vaga doestacionamento do CT do Chelsea.

O professor Rodrigo Franklin de Sousa, coordenadordo Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião daUniversidade Mackenzie, explica que a repetição desses rituais trazsegurança psicológica para quem os pratica. “Ao repetir um ritualbem-sucedido, as pessoas se sentem mais seguras e confiantes”,explica Franklin.

Essa é uma característica própria das culturaslatinas e, por isso, chama ainda mais atenção o caso do zagueiroJohn Terry. O professor explica que as culturas ibero-americanas têmuma abertura maior para os aspectos espirituais e transcendentais.

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