Christian Hartmann/Reuters
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Salários altos, bônus e até pedidos inusitados: como é o contrato de um jogador de futebol

Negociações vão além de fixar somente a remuneração mensal; incluem também tradutor e cotas de passagens aéreas durante a temporada

Guilherme Amaro, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 05h00

Nos últimos anos, cada vez mais os contratos de jogadores de futebol vêm tendo novas cláusulas para proteger as partes envolvidas, tanto os clubes quanto os atletas. A bonificação por metas alcançadas tem sido a mais comum delas, e a conta neste caso é simples: se o jogador fizer determinado número de partidas e gols ou conquistar títulos, por exemplo, ele será recompensado com um valor acordado previamente. É uma forma de o time desembolsar o dinheiro apenas se o reforço corresponder dentro de campo e ao mesmo tempo deixar o atleta motivado, dando um incentivo para ele não se acomodar. O Estadão mergulhou nesse tema e pediu ajuda para agentes contarem histórias de contratos que já costuraram ao longo de suas carreiras.

As bonificações também são negociadas entre os próprios clubes. Se o jogador bater as metas estipuladas no contrato, em cláusuras específicas, o time comprador tem de pagar o valor acordado para o clube vendedor. Exemplo recente ocorreu quando o River Plate, da Argentina, precisou desembolsar 1 milhão de euros (cerca de R$ 4,5 milhões na época) ao São Paulo após ter conquistado a Libertadores da América em 2018, porque havia essa cláusula no contrato de venda do atacante Lucas Pratto. Há ainda casos em que o clube vendedor ganha determinada porcentagem na revenda do atleta.

O empresário Wagner Ribeiro, um dos mais famosos do Brasil, explicou como são feitas as negociações e contou ao Estadão até o pedido mais inusitado que já fez a um clube. Em cerca de 20 anos de carreira, ele agenciou jogadores como Robinho e Neymar, além de ter participado de tratativas de outros destaques brasileiros que foram para o futebol europeu, como Kaká  (do São Paulo para o Milan, da Itália) e Vinicius Júnior (do Flamengo para o Real Madrid, da Espanha).

"Minha especialidade é bônus para o jogador. Os clubes contratam o jogador e têm medo de ele se acomodar, ficar no banco, desinteressado, porque já tem milhões de euros na conta. Então, acabam pagando um salário fixo menor e mais bônus", afirmou o agente, em entrevista ao Estadão.

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Minha especialidade é bônus para o jogador. Os clubes contratam o jogador e têm medo de ele se acomodar, ficar no banco, desinteressado, porque já tem milhões de euros na conta
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Wagner Ribeiro, Empresário de jogadores

A primeira venda negociada por Wagner Ribeiro foi no início de 2002, quando o atacante França deixou o São Paulo para ir atuar pelo Bayer Leverkusen, da Alemanha. De lá para cá, muitas coisas mudaram nos contratos de trabalho. Os salários aumentaram, enquanto os pedidos extracampo diminuíram.

"Quando vendi o França, pedi apartamento, carro e tradutor para ajudá-lo a aprender o idioma e tarefas do dia. Teve casos que pedi uma quantidade determinada de passagens aéreas para o jogador e sua família, era algo normal na época. Hoje, não penso nisso, porque colocamos um valor muito alto de salário. se você pede isso, acaba desvalorizando o atleta. É mais comum aumentar o salário e ficar só com o tradutor, que na maioria das vezes já é o próprio clube que oferece", conta Ribeiro.

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Quando vendi o França, pedi apartamento, carro e tradutor para ajudá-lo a aprender o idioma e nas tarefas do dia. Teve casos que pedi uma quantidade determinada de passagens aéreas para o jogador e sua família, era algo normal
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Wagner Ribeiro, Empresário de jogadores

O pedido mais inusitado da carreira veio em negociação recente conduzida por Wagner Ribeiro, mas ele não quis revelar o nome do jogador nem o clube envolvido. O empresário colocou no contrato que o atleta teria de ser titular absoluto da equipe. A exigência, é claro, não foi aceita. "Vai que cola", diverte-se o agente ao contar sobre a tratativa. "Pior que eu já tinha sido alertado pelo meu advogado que o pedido não iria ser aceito, mas tentei mesmo assim".

Como todo contrato de trabalho, o empregado precisa cumprir uma série de obrigações. No caso dos jogadores de futebol, eles têm de se apresentar para treinar e viajar nos horários combinados. Se houver alguma escorregada, são multados pelos clubes. Já os benefícios também são iguais ao de qualquer trabalhador, como direito a férias e décimo terceiro salário. Nos últimos anos, a maioria dos vínculos com atletas mais jovens tem tido validade de cinco anos.

Também há nesses contratos compromissos publicitários, de direitos de imagens e até de participação do atleta em campanhas da agremiação. Neymar e alguns de seus companheiros do PSG são "obrigados" a participar da vida ativa do clube francês. Na maioria dos casos, essa participação já está estipulada no contrato, como deveres e obrigações.

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