Salários dos jogadores do País podem diminuir, dizem agentes

Empresários insinuam que clubes brasileiros devem diminuir o valor da folha de pagamento dos atletas com a nova determinação da Fifa

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2014 | 07h00

Empresários e fundos de investimentos preveem que a decisão da Fifa de determinar que apenas clubes poderão ser donos dos direitos econômicos dos atletas poderá provocar redução nos salários pagos aos jogadores. Atualmente, a média da folha de pagamento dos 12 maiores clubes do Brasil é de aproximadamente R$ 8 milhões por mês.

"Quem vai pagar essa conta são os jogadores, que foram os grandes beneficiados com a entrada de investidores. Eles tiveram seus salários multiplicados acima de qualquer índice de mercado porque os fundos de investimentos liberaram os clubes da obrigação de fazer as contratações e, assim, os dirigentes começarem a competir entre si para ver quem pagava o maior salário", diz Frederico Pena, diretor de futebol da Traffic.

A empresa é dona do Desportivo Brasil e do Estoril, de Portugal, e tem vários jogadores espalhados pelo País. Todas as operações de investimento, compra e venda de jogadores da Traffic são feitas por esses clubes. Assim, segundo Pena, o fim da participação de fundos de investimentos no futebol não afetaria diretamente a empresa. Mas o diretor acredita que empresas que não são proprietárias de clubes podem encontrar outros meios para continuar em atividade. "Hoje, quando é feita uma transferência, o clube vendedor tem de declarar que é dono da totalidade dos direitos econômicos do atletas. Hoje, entre aspas, os clubes já estão mentindo para a Fifa porque ela não tem como controlar o que o cada um faz com o dinheiro."

O empresário Luiz Alberto de Oliveira Filho, dono da LA Sports, tem parcela nos direitos econômicos de mais de 50 atletas e aposta que até a medida anunciada nesta sexta-feira entrar em vigor já serão criados novos mecanismos de compra e venda de jogadores. "Esse tempo de transição dado pela Fifa normalmente é o mesmo da validade de contratos que estão em vigor. Os próximos acordos deverão ser feitos de outra forma."

Para o empresário Marcelo Robalinho, o fim dos fundos de investimento pode provocar uma fuga de capital do futebol. "Além do risco de trazer para as federações o ônus de indenizar os fundos de investimentos porque estão acabando com uma atividade que é legal, os clubes europeus, que estavam começando a pagar valores mais altos pelos jogadores brasileiros, vão continuar comprando a preço de banana."

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Nova realidade no futebol

1.Qual é o objetivo da Fifa?

A entidade fala em proteger a integridade do futebol e dos atletas. Por isso pretende acabar com a participação dos fundos de investimentos nos direitos dos futebol. 

2.Quais serão as novas regras?

A nova legislação está sendo elaborada por um grupo de trabalho criado pela Fifa especialmente para cuidar desse assunto. A proposta deve ser votada nos dias 18 e 19 de em dezembro, durante a próxima reunião do Comitê Executivo da Fifa, que será realizada em Marrakech por ocasião do Mundial de Clubes.

3.Quando as novas regras passarão a ter validade?

A previsão da Fifa é que os fundos de investimentos deixem de existir em 2017 ou no máximo em 2018. Até lá, a entidade diz é necessário um período de transição para a nova realidade que será implantada.

4.Como os clubes brasileiros serão afetados?

Estudo feito pela empresa de consultoria e auditoria KPMG apontou que quase 90% dos jogadores da Série A do Campeonato Brasileiro têm seus direitos econômicos compartilhados entre empresas, investidores, familiares e fundos de investimentos. Endividados, os clubes recorrem a parceiros para poder contratar jogadores e não poderão mais usar esse tipo de manobra.

5.Quais são as empresas que investem no futebol no Brasil?

A Parmalat, nos anos 90, foi a percussora desse tipo de atividade. Em 2005, a MSI passou a investir no Corinthians. Hoje, as maiores empresas são Traffic, DIS, Doyen, Energy Sport, LA Sports e Elenko.

Mais conteúdo sobre:
futebol Fifa Blatter jogadores agentes

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.