Salários e finanças em dia, as armas de Penapolense e Ituano

Clubes do interior apostam no equilíbrio orçamentário e na premiação justa para surpreender

Ciro Campos e Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

29 de março de 2014 | 05h00

SÃO PAULO - Grupo fechado, salários adequados à realidade do clube, finanças em dia e um bom relacionamento entre diretoria e jogadores. Os fatos são comuns a Penapolense e Ituano, responsáveis pelas maiores surpresas do Campeonato Paulista deste ano.

Chegar às semifinais do torneio parecia um sonho distante para os dois times do interior há pouco mais de dois meses. Mas as equipes dirigidas pelos ex-jogadores Doriva e Narciso, respectivamente, desbancaram favoritos e disputam neste domingo uma vaga na grande final. "Continuamos focados no nosso trabalho e na possibilidade de avançar. Podemos fazer algo diferente contra o Santos, time que já vencemos por 4 a 1 na primeira fase", disse o diretor de futebol do Penapolense, Paulo de Carvalho.

O time de Penápolis, cidade localizada a 500 km da capital, disputa apenas o seu segundo Campeonato Paulista. Fundado em 1944, teve uma ascensão meteórica nos últimos anos – em 2011 a equipe ainda disputava a Série A-3, e conseguiu dois acessos seguidos até a Primeira Divisão.

Este ano, repetiu a classificação às quartas de final – havia chegado a essa etapa no ano passado. Na primeira fase, somou 19 pontos e ficou em segundo do Grupo A. Com a mudança do regulamento em relação a 2013, o time conseguiu a vaga nas quartas de final mesmo no 13.º lugar na classificação geral, com seis vitórias e um empate em 15 jogos. "Contamos também com a sorte", admite o presidente Nilso Moreira.

O Ituano, por sua vez, refuta o papel de azarão. "Somos uma equipe constante desde o primeiro jogo do campeonato. Conseguimos manter o padrão tático e temos um elenco bastante comprometido", disse Doriva.

A equipe chegou à segunda fase após somar 28 pontos, com oito vitórias, quatro empates e três derrotas. O retrospecto lhe deu a quarta melhor campanha, empatado em número de pontos com o Botafogo, time que eliminou nos pênaltis em Ribeirão Preto. E ainda se orgulha de ter a melhor defesa do torneio, com apenas dez gols sofridos.

Os resultados deste ano contrastam com a trajetória percorrida no ano passado, em que lutou contra o descenso – ao término das 19 rodadas, o Ituano somou 20 pontos, dois a mais que o Mirassol, primeiro time da zona de rebaixamento.

FINANÇAS

Os dois clubes têm o mesmo gasto com a folha salarial: R$ 400 mil.Os elencos têm poucos jogadores famosos e a manutenção das principais peças é o grande desafio para a disputa do Brasileiro da Série D, competição para a qual garantiram vaga graças à boa campanha no Estadual.

O Ituano pretende segurar até 70% do grupo, que já é composto por sete jogadores vindos das categorias de base. No Penapolense, os prêmios aumentam à medida que o time vence no campeonato. Cada vitória na primeira fase rendeu R$ 25 mil ao grupo.

Uma das estratégias da diretoria do Penapolense é assinar contratos longos, medida que ajuda na manutenção dos jogadores para a disputa da Série D. No ano passado, alguns atletas da equipe foram embora depois do Paulista e voltaram valorizados, aumentando a folha salarial. Cinco titulares de 2013 ainda fazem parte do time: os zagueiros Jaílton e Gualberto, o lateral-esquerdo Rodrigo Biro, o volante Liel e o experiente meia Guaru.

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