Sampaio perde dinheiro no Nhozinho

O Corintians irá jogar nesta quarta-feira em um estádio de 16 mil pessoas, o Nhozinho Santos, por causa de uma briga política que paralisa todo o Maranhão e impede que seja reformado o Castelão, que abrigaria 80 mil pessoas. "O governador José Reinaldo Tavarez é brigado com o senador José Sarney. Então todas os obras que seriam feitas com o dinheiro federal acabam travadas. A população já sofre e o futebol não poderia ficar de fora. Estamos jogando no lixo muito dinheiro jogando contra o Corinthians no nosso estádio mais acanhado. É uma vergonha saber que o Castelão está lá interditado", desabafa o diretor de futebol do Sampaio Corrêa, José Alberto de Moraes Rego. O prejuízo é de cerca de R$ 600 mil - dez vezes a folha de pagamento do clube nordestino.Quase que o Sampaio Corrêa vende para Teresina, Belém ou Manaus o local da partida. O clube não conseguiu que as capitais bancassem os R$ 600 mil. "Nós fizemos a nossa oferta, negociamos para valer. Iríamos para lá voando se uma dessas capitais aceitasse. Estamos precisando de dinheiro. Só que não deu certo", lamenta José Alberto.A confusão continuou marcando a promoção desta partida até mesmo hoje. A desavisada televisão local anunciava o jogo para esta terça-feira. "Eu mesmo fiquei perdido. Só me aquietei quando um amigo me jurou que o Sampaio jogava na quarta-feira. Ele teve de jurar", diz o barbeiro José Damaceno Ferreira que acompanhava o treino do Corinthians com a camisa do Flamengo.O Maranhão foi influenciado pelas transmissões de futebol das décadas de 1950, 1960 da rádio Nacional do Rio de Janeiro. "Os torcedores daqui têm como segunda equipe os times cariocas. Principalmente o Flamengo. O Corinthians mesmo com suas estrelas não mexe tanto com os torcedores.Invasão - Se viesse o Flamengo, mesmo ruim de dar dó como está, aqui estaria uma loucura", afirma o locutor da rádio local AM 830, Laércio Júnior, percebendo a falta de maior interesse dos torcedores locais. "Nós colocamos os ingressos a R$ 20,00 e até R$ 50,00. Os preços são exorbitantes para a nossa população que é miserável. Mas é a única maneira de tentar ter algum lucro. Mas eu duvido que conseguiremos vender os 16 mil ingressos. O povo aqui não poderia pagar mais do que R$ 5,00, mas não tivemos escolha", se justifica, descrente, o dirigente do Sampaio Corrêa.

Agencia Estado,

02 de fevereiro de 2005 | 09h20

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