Miguel SCHINCARIOL / AFP
Miguel SCHINCARIOL / AFP

Sampaoli cita Pelé e Neymar e diz que Santos precisa jogar no ataque

Argentino assinou contrato por duas temporadas e foi apresentado oficialmente no Museu do Futebol, em São Paulo

João Prata, Estadão Conteúdo

18 de dezembro de 2018 | 16h02

Jorge Sampaoli concedeu nesta terça-feira a primeira coletiva como técnico do Santos. O argentino, que assinou contrato por duas temporadas e foi apresentado oficialmente no Museu do Futebol, em São Paulo, deixou bem claro que colocará o time para jogar no ataque. E o pensamento de colocar a equipe para frente foi o que o motivou para comandar uma equipe brasileira.

"Hoje o pensamento futebolístico olha primeiro para trás para depois olhar para frente. A característica atual é neutralizar e não propor. Minha ideia é pensar para frente. Tentarei colocar minha ideia em um clube que teve craques como Pelé e Neymar, que nos obrigam a jogar para frente", afirmou. "Estou nesse lugar que é o centro do futebol. Daqui do Brasil saem os melhores jogadores para a Europa. É importante tentar encontrar e potencializar o talento. É um desafio", complementou.

Sampaoli chegou com uma hora de atraso em sua apresentação, o que mudou todo o cronograma do Santos para sua apresentação. A assessoria antecipou o café de boas-vindas e realizou também o sorteio de alguns brindes que seriam feitos somente após a coletiva. Por volta das 15h, o argentino apareceu junto com o presidente do Santos, José Carlos Peres.

O mandatário presenteou o novo treinador com a camisa 10 do clube. O comandante chegou no domingo ao Brasil e foi recepcionado com festa por cerca de 200 torcedores santistas no seu desembarque. "Isso é uma grande motivação. A confiança e expectativa que os torcedores depositam em mim só me fazem querer ainda mais um grande trabalho", afirmou.

Sampaoli também comentou sobre os treinadores brasileiros. Apesar de elogiar Tite e Luiz Felipe Scolari, reconheceu que pensa o futebol de maneira diferente. "São técnicos de muita capacidade, com estilos diferentes, mas que respeito muito. O Tite, da seleção, é muito respeitado. O Scolari também. São treinadores que não têm a mesma ideia que eu, mas são muito respeitados. Vai ser duro impor essa minha estrutura que já deu resultado no futebol brasileiro. Tomara que possa competir com os grandes aqui no Brasil", projetou.

O argentino substitui Cuca, ausente das atividades profissionais por conta de problemas cardíacos. Seu último trabalho foi na seleção da Argentina, pela qual não teve uma boa campanha na Copa do Mundo da Rússia - caiu nas oitavas de final para a França. Ele chega, a princípio, com um auxiliar e um preparador físico. Novos profissionais devem ser contratados posteriormente. "As alegrias no futebol são passageiras. Mas as tristezas demoram muito para passar. Uma das minhas maiores tristezas foi não dar à seleção argentina um título", comentou.

TRAJETÓRIA - Jorge Sampaoli começou a sua história no futebol dentro das quatro linhas como lateral. Após aposentar as chuteiras, o argentino deu início a sua caminhada como treinador. De 1994 a 2001, passou por quatro pequenas equipes de seu país.

A partir de 2002 que começou a se destacar mais. No Peru, Sampaoli treinou quatro equipes conhecidas: Juan Aurich, Sport Boys, Coronel Bolognesi e Sporting Cristal. Com isso, ganhou notoriedade no continente e comandou o O'Higgins, do Chile, e o Emelec, do Equador.

Em 2011, a Universidad de Chile contratou Sampaoli. Em menos de dois anos na equipe chilena, o técnico revolucionou a equipe com três títulos nacionais e uma Copa Sul-Americana, fazendo o clube crescer no continente, encantando a todos com um futebol dominante.

O sucesso no país o fez assumir a seleção do Chile, onde Sampaoli ficou quatro anos, disputou uma Copa do Mundo, quase eliminando a seleção brasileira em 2014 nas oitavas de final, e conquistou, de maneira surpreendente, a Copa América de 2015. O ótimo desempenho no Chile levou o treinador para o Sevilla, da Espanha, em sua estreia na Europa. Seu trabalho mais recente foi na Argentina, onde disputou seu segundo Mundial.

 

 

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