Hélvio Romero/Estadão
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Sampaoli não 'contaminou' Carille

Ficou claro que o Santos, por mais que tenha asfixiado o Corinthians, não influenciou minimamente o treinador

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2019 | 04h30

Santos 1 x 0 Corinthians, disputado na segunda-feira passada no estádio do Pacaembu, registrou uma das maiores imposições táticas de uma equipe sobre outra em clássicos no futebol brasileiro nos últimos anos. Foi impressionante. Comandado pelo argentino Jorge Sampaoli, o conjunto santista pressionou de tal forma o adversário que chegou a assustar. O placar, magro, não traduziu o que se viu nas quatro linhas e, em consequência, permitiu a (injusta) classificação corintiana à final do Campeonato Paulista na disputa de pênaltis.

Seis dias depois, no Morumbi, diante de uma equipe que não está no mesmo estágio do Santos, embora finalista do Estadual, o Corinthians foi o mesmo, o de sempre. Enquanto o São Paulo buscava a vitória, os alvinegros resistiam, faziam o tempo passar. Não se viu na estratégia do técnico Fábio Carille qualquer mudança de postura na direção de um time mais ousado, menos pragmático, que deseje se impor. Algo factível dada a juventude de parte do time tricolor, somada ao fato de ser uma equipe ainda em formação.

O São Paulo teve 59% de posse de bola, finalizou 19 vezes contra sete, sendo cinco no alvo contra um único arremate do Corinthians na direção do gol, pelos números do Footstats. Se os tricolores queriam vencer, os corintianos desejavam não perder. Óbvio que, atuando em casa, cabia à equipe comandada pela dupla Cuca-Vagner Mancini ter a iniciativa. Contudo, isso não obrigava seu adversário a entrar em campo com tão pouca iniciativa no que se refere ao ataque, desejo pelo gol. Jogando no Morumbi, mas pensando em Itaquera.

Depois de perder para o Santos e ainda assim sobreviver no Campeonato Paulista, Carille admitiu que o Corinthians jogou mal. Daí poderíamos imaginar alguma mudança de postura da equipe na visita ao São Paulo. Um time mais agressivo em determinados momentos, mais ambicioso, ciente de que empatar na casa do rival não seria ruim, mas que a perspectiva da vitória poderia ser mais... alimentada. Não houve isso, os corintianos foram aquilo que já se conhece em cotejos desse tipo, um time frio, competitivo, mas sem apetite.

Claro que atuando em seus domínios no próximo domingo, a equipe de Carille será a favorita diante do São Paulo. Mas nem sempre os jogos em Itaquera terminam com final feliz para os alvinegros. Basta lembrar as eliminações ou derrotas em finais sofridas no estádio inaugurado em 2014: Cruzeiro (Copa do Brasil 2018), Colo-Colo (Copa Libertadores 2018), Internacional (Copa do Brasil 2017), Nacional (Copa Libertadores 2016), Audax (Campeonato Paulista 2016), Guaraní (Copa Libertadores 2015), Palmeiras (Campeonato Paulista 2015) e Santos (Campeonato Paulista 2015).

Se o São Paulo não faz gol há 288 minutos, vale destacar que também não leva há 367. São três empates por 0 a 0 seguidos, dois contra o Palmeiras e agora frente ao Corinthians. O time não coloca a bola nas redes, mas resiste aos adversários, como suportou o Palmeiras na semifinal, quando também fez o jogo de volta na casa do rival. E se o Corinthians vem colecionando vitórias nos pênaltis, os tricolores já têm a deles, sobre os palmeirenses. Se há vantagem corintiana, é a do mando de campo, que não é grande.

Poderia ser. Se o time ousasse, se arriscasse mais, tentasse vencer. Pela equipe mais madura que tem, pela maior vivência em jogos decisivos, em finais, pela pressão por títulos sofrida pelos são-paulinos, caberia aos corintianos um pouco mais de ímpeto diante do São Paulo. Uma pitada de “sampaolice”. Mas ficou claro que o Santos do argentino, por mais que tenha asfixiado o Corinthians, não influenciou minimamente Carille, competente e aparentemente mais pragmático do que nunca.

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