'Sanções e controle maior devem surtir efeito na Rússia'

Historiador diz que racismo é bode expiatório da crise

Entrevista com

Angelo Segrillo

Gonçalo Junior, O Estado de São Paulo

11 de abril de 2015 | 17h00

1. Como explicar osepisódios de racismo no futebol russo?

No Brasil,nacionalidade é definida pelo direito do solo, ou seja, a primeirageração de imigrantes nascida no país é brasileira. Nos paíseseslavos, como Rússia, a nacionalidade é determinada pelo direito dosangue, ou seja, depende do pai ou da mãe. Isso cria os estados comdezenas de nacionalidades, o que potencializa os conflitos. Alémdisso, o fim da União Soviética trouxe abalos psicológicos eeconômicos. Nesses períodos é comum o acirramento do racismo. Abusca por um bode expiatório é comum na história.

2. O alvo não é só onegro?

Não. Existem váriostipos de racismo. No futebol, ele está concentrado nos negros, poisnão existiam muitos antes. Mas temos questões históricas deantissemitismo no leste e centro europeu. Existe um problema dediscriminação em relação às pessoas do Cáucaso, onde está aChechênia.

3.Como resolver aquestão até a Copa do Mundo?

O ideal seria corrigir os problemasestruturais com educação. A curto prazo, desde 2012, existe umanova lei para regular o comportamento dos torcedores, como se fosse oEstatuto do Torcedor daqui. Lá, o foco é o racismo. Os times sofremuma punição, em geral têm de jogar com portões fechados. É umproblema difícil de sanar, mas eles não querem fazer um papel feiona Copa.

4. Pode funcionar?

Estamos falando deracismo em campeonatos comuns. Na Copa, a história é diferente,como a gente viu aqui no Brasil. As entradas são mais caras e ocontrole será maior. Além disso, eles temem atos terroristas. Hojenão existem câmeras para identificar quem jogou a banana. Assanções e o rigor na segurança podem surtir efeito.

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