Santistas brigam pela artilharia

Robinho não é mais aquele garoto que jogava um futebol irreverente e muitas vezes inconseqüente. Desde o ano passado, ele vem passando por um processo de amadurecimento e, mesmo conservando as pedaladas, passou a jogar mais para a equipe, abandonando o individualismo. Ao mesmo tempo, treina exaustivamente os fundamentos de qualquer atacante: as finalizações a gol. O resultado não demorou a chegar: foi convocado por Parreira para os dois próximos jogos da seleção brasileira e é um dos principais destaques do Brasileiro. O novo Robinho tem fome de gol. Já marcou 13 no campeonato e está apenas dois gols atrás de Alex Dias, do Goiás, credencial para que ele tente conquistar um título inédito em sua carreira, o de artilheiro. Mesmo com esse desempenho, o atacante não descuida do time e mais sete gols da equipe saíram de suas jogadas e passes certeiros. "Vou me esforçar mais ainda para vencer na artilharia, mas o objetivo maior é conquistar novamente o título brasileiro", disse ele. Com sua costumeira humildade, admite que ainda não está pronto. "Sei das minhas limitações e trabalho para corrigir os problemas e me aprimorar", completou o jogador, que amadureceu muito nos últimos tempos, especialmente depois da brincadeira reprovada pela CBF quando estava na seleção pré-olímpica e abaixou o calção de Diego. Mais artilheiros - Se Robinho é o principal artilheiro do time, Basílio e Deivid estão logo atrás, com 11 e 10 gols respectivamente. Num time que tem o melhor ataque do campeonato, essas oportunidades sempre aparecem. Foram 56 gols marcados nas 24 partidas disputadas, numa média de 2,3 por jogo. "É bom que a equipe tenha três artilheiros, fora o Ricardinho e o Léo, e é por isso que dificilmente passamos em branco", disse Deivid. "Nossa busca é a conquista do título, mas será muito bom se nós três formos os artilheiros da competição", continuou o atacante. Também Basílio tem opinião idêntica. Ele vem ganhando espaço no time quando Vanderlei Luxemburgo escala três homens no ataque em jogos contra adversários mais fracos. O treinador quer o maior número possível de gols, pois o campeonato está muito embolado e esse pode até ser o critério que desempate as equipes e faça o campeão. Basílio, como Robinho, não perde a humildade e distribui o resultado de seus gols ao trabalho de equipe. "Todos jogadores participam, temos tido a felicidade de marcar os gols e o mérito é, portanto, de todo o grupo que está fechado no objetivo maior de conquistar o título". Se o Santos é um time que tem por tradição marcar muitos gols, sua defesa também costuma ter problemas. Por isso, os 56 gols marcados até o jogo de hoje contra o Botafogo compensam os 37 sofridos e garantem o melhor saldo (19). Mas o Palmeiras, com uma equipe mais equilibrada, ameaça com a diferença de apenas dois gols no saldo, razão para Luxemburgo procurar resolver também o problema de marcação da equipe.

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