Santistas viram as costas para Robinho

A torcida santista, que tanto reverenciou o craque Robinho nas conquistas dos Brasileiros de 2002/04, virou hoje as costas para seu maior ídolo depois de Pelé. Robinho pisou no gramado da Vila às 15h58. Foi o primeiro a entrar, arrastando mais de 15 crianças, uma delas presa a seu calção - não largava o craque por nada. Só a inocência dos "pequenos" para dar de ombros a tudo o que envolveu a transação milionária com o Real Madrid e seguir amando o ídolo. O craque da camisa 7, entretanto, sentiu-se um estranho na própria casa, tamanha a frieza com que o torcedor da arquibancada o recebeu após 31 dias afastado do Santos por decisão própria, enquanto seus representantes sacramentavam sua venda, concretizada na madrugada de sábado por US$ 30 milhões (R$ 71,1 milhões). Robinho não acenou para a torcida. Também não teve seu nome gritado como cansou de ouvir na Vila. Sua volta foi marcada pela total indiferença dos santistas. Virou, de fato, jogador do Real Madrid. E será assim durante as outras seis partidas que o atleta fará até o dia 24, contra o Paysandu, em Belém. Esse foi o combinado entre o presidentes do Santos, Marcelo Teixeira, e dirigentes do clube espanhol. Robinho só foi liberado com a condição de voltar a defender o Peixe - uma bravata de Teixeira para tentar justificar parte de sua decisão. Para o elenco, Robinho continua sendo aquele menino brincalhão e capaz de decidir o resultado de um jogo num lance genial, no começo, no meio ou no fim da partida. Esteve nas quatro comemorações. Para os formadores de opinião de Santos, como os profissionais da Rádio Cultura, Robinho seria o melhor após Pelé. Na narração do jogo, a emissora só se referia ao craque como "monstro", uma reverência ao seu talento. E um torcedor aplaudiu o craque. Era Pelé, sem seu camarote na Vila. Diz-se na Baixada que o presidente santista tem estreitos laços de relacionamento com as torcidas organizadas do Peixe. E que ele seria um dos incentivadores dessa indiferença em relação a Robinho. O novo galáctico do Real fora avisado que seria assim, que não existiriam faixas de saudação, que a torcida seria dura, uma ingratidão possível apenas no futebol. E foi assim

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