Kim Kyung Hoon/Reuters
Kim Kyung Hoon/Reuters

Santos abre mão e DIS compra mais 10% dos direitos de Ganso

Grupo paga R$ 5 milhões nos direitos que pertenciam ao jogador e já possui 55% dos direitos econômicos

Luís Augusto Mônaco, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2011 | 23h26

NAGOYA - A DIS comprou no fim de semana mais 10% dos direitos econômicos de Ganso, e agora tem 55% contra 45% do Santos. A parte adquirida sábado por R$ 5 milhões pertencia ao jogador, e não interessou ao presidente Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro nem aos integrantes da Teisa, a empresa de investimento formada por empresários santistas.

Por contrato, o Santos teve um mês a partir do momento em que foi comunicado da intenção da DIS para decidir se pagava os R$ 5 milhões para Ganso.

O prazo venceu no dia da reeleição de Luis Alvaro, a 48 horas do embarque para o Mundial, e a resposta foi "não".

É uma decisão surpreendente para uma diretoria que alardeia há um mês a disposição de oferecer ao meia um projeto de carreira semelhante ao que transformou Neymar num dos jogadores mais bem pagos do mundo. Se o clube aposta tanto na valorização de Ganso, fica difícil entender o motivo de não ter investido R$ 5 milhões para aumentar sua fatia numa eventual venda para o exterior. E se 10% dos direitos dele estão avaliados em 2 milhões, significa que seu valor é de 20 milhões - menos da metade dos 50 milhões estipulados em sua multa rescisória.

O Santos paga suas contas em dia, mas não tem fôlego para voos solo em contratações ou investimentos como o que deixou de fazer para ter mais 10% dos direitos econômicos de Ganso. O peso do elevado valor (R$ 1,5 milhão) que o clube tem de pagar de juros mensais de sua dívida inibe grandes gastos. Daí vem a necessidade de pedir ajuda constantemente a parceiros - como o BMG e a Teisa, por exemplo.

Em sua guerra com a DIS, Luis Alvaro vive dizendo que "Ganso não é bobo e já percebeu que perdeu R$ 5 milhões este ano por ter dado ouvidos aos seus agentes e não ter assinado o contrato que lhe oferecemos". Agora que o Grupo Sonda colocou esse valor no bolso do jogador, o argumento do presidente não tem mais validade. E a imagem que fica é que foi a DIS, e não o Santos, que recompensou o meia.

Mudo. Talvez seja esse o motivo de Ganso ter sido o único titular a não falar com a imprensa nos dois primeiros dias do Santos em Nagoya. Evitou os repórteres no aeroporto, não foi à coletiva organizada pela Fifa ontem de manhã sob a alegação de estar com dor de estômago e foi o único jogador a não passar pela área de entrevistas depois do treino da noite - Neymar também não, mas já tinha falado como um papagaio pela manhã.

Há duas versões para explicar o fato de o maestro do time estar arredio. Uma é que ele tem evitado a imprensa para não ter de falar sobre algo que o está aborrecendo, e a outra é que a assessoria de imprensa do clube o tem blindado para evitar que ele diga algo contra a diretoria.

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