Santos ainda sonha em manter Robinho

Como um time que no final do jogo parte para o tudo ou nada, o Santos tenta as últimas jogadas para não perder sua maior estrela, o atacante Robinho. Poucos acreditam que o resultado atual seja revertido e o Real Madrid deve mesmo ganhar essa disputa, mas até que o contrato seja assinado, algumas coisas podem ocorrer.O presidente Marcelo Teixeira sabe que não tem como resistir ao assédio do Real, que já considera Robinho seu patrimônio, devendo se apresentar em julho. "Financeiramente, é muito difícil concorrer com o mercado europeu", disse o dirigente, que busca outras alternativas para manter o jogador na equipe. "Queremos tornar viável uma situação que dê conforto ao atleta para que ele não pondere só em termos financeiros", disse Teixeira, acenando com a esperança de que Robinho se convença de que o caminho mais curto para disputar a Copa do Mundo é continuar jogando pelo Santos.Quando o assédio cresceu no final do ano passado, Marcelo Teixeira chamou os atletas e seus representantes e fez um acordo prorrogando o contrato de Robinho até janeiro de 2008, aumentou o salário e ainda cedeu 10% dos direitos federativos ao procurador Wagner Ribeiro. A condição era de que o novo compromisso fosse cumprido e que o atacante só deixasse a Vila Belmiro quando obtivesse o grau maior de valorização, depois da Copa do Mundo.Nessa negociação, o Santos chegou ao máximo do que poderia oferecer a Robinho, tendo permanecido com 60% dos direitos federativos do atacante. Com isso, fica difícil um novo acerto financeiro, já que, segundo informou recentemente que o atleta está ganhando mais do que Diego no Porto. Foi a partir dessa dificuldade que Teixeira se interessou em abrir mão de direitos de publicidade para que o atleta faça contrato de publicidade que aumente sua renda e fique na Vila Belmiro.O acordo fechado no ano passado não adiantou muito porque os entendimentos continuaram entre os representantes de Robinho e os dirigentes do Real Madrid, o que aborreceu o presidente. Não se sabe em que estágio se encontra a negociação entre o procurador do atleta e o clube espanhol e um pré-contrato pode já estar acertado para a liberação do atacante em julho. A informação vinda da Espanha é que o clube pagaria 18 milhões de euros para ficar com o jogador em definitivo.Da parte do Santos, Marcelo Teixeira procura ganhar tempo, sabendo que o jogador só sai do clube se houver sua concordância. Ele tem a seu favor o contrato que prevê multa rescisória de US$ 50 milhões. Fora isso, pode não concordar com os valores, exigir pagamento da parte do clube à vista, mas será muito difícil segurar Robinho na Vila.Dentro desse quadro, o episódio da saída de Diego começa a se repetir.O jogador já havia acertado sua ida para o Porto, Teixeira relutou até o fim em cedê-lo, chegando no último momento a cobrir a proposta salarial do clube português e só desistiu quando o jogador disse que não mais queria jogar no Santos. Diego já estava de passagem comprada para Portugal e embarcou logo depois de ter recusado a última oferta.Além de receber sua parte normalmente, o que presidente santista conseguiu foi encurtar o prazo de pagamento.Sem cacife para segurar Robinho, resta a Teixeira torcer para que um contrato milionário de publicidade mantenha o jogador no Brasil. Ou que o craque se convença de que chegará mais fácil à Copa do Mundo jogando pelo Santos do que pelo Real Madrid.

Agencia Estado,

16 de fevereiro de 2005 | 18h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.