Santos condena postura de Ganso e vê 'página virada'

De ídolo festejado e exaltado a um jogador que deixou o Santos brigado com a diretoria e pela porta dos fundos da Vila Belmiro. Assim pode ser definido o término da passagem de Paulo Henrique Ganso pelo clube, que se pronunciou por meio de seu site oficial, nesta madrugada de sexta-feira, logo após o São Paulo oficializar a contratação do jogador. Através de um comunicado pontuado por 13 itens, o Comitê de Gestão santista, que assina a nota, condenou a postura adotada pelo meio-campista durante o período final do atleta no time e fez questão de enfatizar que essa polêmica negociação - e o jogador por tabela - se tornou "página virada" da história alvinegra.

AE, Agência Estado

21 de setembro de 2012 | 10h02

No início de seu comunicado, o Santos ressaltou que fez "diversas tentativas" para manter Ganso no clube, incluindo uma proposta de plano de carreira e ofertas de aumento salarial, "todas recusadas pelo jogador, conforme documentos em posse da direção do clube".

O Santos ainda fez questão de destacar que só acabou desistindo de lutar pela permanência do jogador por causa do "inequívoco desejo do atleta de não mais vestir nossa camisa", conforme sublinhou em negrito um dos trechos da nota. Em seguida, o time criticou a postura profissional do jogador, ao confirmar que ele deixou de frequentar o CT Rei Pelé desde o último dia 14, "à revelia da comissão técnica, o que levou o clube a descontar os dias de falta ao trabalho".

Ganso se recupera de um problema muscular na coxa, mas, indignado pelo fato de o Santos ter endurecido a negociação com o São Paulo, deixou de seguir o seu tratamento no CT Rei Pelé. E, agora, deverá prosseguir seu processo de recuperação no Reffis do clube do Morumbi, que pagou R$ 23,9 milhões pelos direitos econômicos do atleta que pertenciam ao time santista.

BATALHA JUDICIAL - Por meio do comunicado que publicou na última madrugada, o Santos ainda reconheceu que apenas a briga que trava na Justiça com a DIS, empresa que é dona de parte dos direitos de Ganso, estava impedindo que a transferência do meia ao São Paulo fosse sacramentada. O Santos diz ter sido lesado pela DIS e exigiu o perdão de uma dívida cobrada na Justiça pela empresa, referente à negociação do volante Wesley ao Werder Bremen, que depois negociou o atleta com o Palmeiras. O clube ainda exigiu que a DIS também retirasse outra pendência judicial envolvendo a venda do atacante André ao Dínamo de Kiev, ocorrida em 2010, mesmo ano que Wesley também deixou o clube.

"A DIS ajuizou processo de execução contra o Santos FC, em que pretende receber R$ 5,1 milhões (conforme atualização feita por seus advogados), por força da negociação do atleta Wesley ao Werder Bremen (Alemanha), especificamente pelos 25% dos direitos econômicos abrangidos no contrato cuja ilegalidade está sendo discutida no Judiciário", alegou o Santos por meio da nota oficial.

Na batalha jurídica que trava com a DIS, o Santos teve penhorado o CT Meninos da Vila, como garantia de pagamento da dívida, até que a Justiça pronuncie sua decisão final sobre o caso. Porém, a empresa não se satisfez com a decisão da penhora e ainda conseguiu reter 20% das receitas do clube, que teve créditos junto a patrocinadores e à TV Globo bloqueados.

"A penhora de crédito é extremamente nociva ao fluxo de caixa do clube, ao contrário da garantia imobiliária que permitiria uma discussão do mérito sem impacto financeiro negativo", lamentou o Santos por meio do comunicado, no qual depois confirma que a DIS aceitou manter apenas a penhora do CT Meninos da Vila como "mera garantia" em caso de não pagamento da dívida que cobra do clube.

O Santos ainda repetiu que "sobretudo ante ao inequívoco desejo do atleta de não mais vestir nossa camisa, concordou em transferir o Paulo Henrique Ganso ao São Paulo FC pelo valor líquido de R$ 23,9 milhões, mais porcentual sobre lucro em venda futura, desde que a DIS aceitasse desistir imediatamente da penhora de nossos créditos".

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