Santos conquistava o bi da Libertadores há 50 anos

Em duas partidas com o Boca Juniors, time da Vila se valeu do talento de Pelé, Coutinho e companhia

Sanches Filho, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 08h04

SANTOS - No dia 11 de setembro, há 50 anos, Pelé e Coutinho, no auge da melhor dupla de atacantes do futebol brasileiro de todos os tempos e com costumeiro apetite para fazer gols, calavam os 85 mil fanáticos torcedores do Boca Juniors no caldeirão de La Bombonera, em Buenos Aires, com os dois gols que levaram o Santos, que já era campeão mundial, à conquista do bi da Libertadores da América. Por ter sido campeão de 1962, na decisão contra o Peñarol, o Santos entrou nas semifinais da competição. Os dois primeiros jogos foram contra o Botafogo, de Garrincha, Nilton Santos e Zagallo, entre outros, eliminado com o empate por 1 a 1 no Pacaembu e a goleada por 4 a 0, no Maracanã. Nas finais, duas vitórias, por 3 a 2 no Maracanã, e 2 a 1, na Bombonera, contra o poderoso Boca.

"Eram dois times muito fortes, técnica e fisicamente. Duas equipes que se rivalizavam. O campo foi 'preparado' para ficar ruim e dificultar o nosso forte, que era o toque de bola em velocidade. Enfrentamos uma torcida enlouquecida também, que jogava todos tipos de objetivos no campo, e sofremos muita provocação, mas Coutinho e Pelé se encarregaram de virar o jogo, depois de tomar o gol de Sanfilippo", relembra Pepe, com o entusisamo de sempre.

Para o ex-meia Lima, o Santos decidiu após o jogo no Maracanã que não perderia de jeito nenhum para o Boca Juniors no La Bombonera. "Queríamos apagar a má impressão que tinha ficado do primeiro jogo contra o Boca, no Maracanã. Ganhávamos por 3 a 0, facilitamos um pouco no fim do jogo, eles marcaram dois gols e acharam que venceriam em Buenos Aires. Lá, o time inteiro jogou bem, mas Gylmar foi a grande figura, com defesas espetaculares".

Ao comentar a conquista do bi da Libertadores um filme passa na cabeça de Lima, ele admite. E lembra de detalhes como se aquele jogo tivesse acontecido recentemente. "Seguramos a pressão deles nos 10 minutos iniciais, mas acabamos sofrendo o gol de Sanfilippo, no comecinho do segundo tempo, numa falha nossa. Três dos nossos jogadores foram para a bola, que acabou sobrando para Sanfilippo, livre, marcar. O que aconteceu depois todos já sabem. O Santos só precisava do empate para ser bicampeão, mas Coutinho e Pelé viraram a partida".

COUTINHO ERA GENIAL

Lima lembra que, com razão, os argentinos tinham verdadeiro pavor de Coutinho. "Não é verdade que na Argentina, Coutinho era considerado melhor do que Pelé dentro da área. Sou uma pessoa que jamais escondeu a amizade que tenho com Pelé e Coutinho, mas, para mim, dentro da área, Coutinho foi o jogador mais genial que conheci". A campanha da conquista do bi da Libertadores do Santos começou no dia 22 de agosto de 1963, no Pacaembu, com os santistas sofrendo um susto. Jair Bala abriu o marcador aos 15 minutos do segundo tempo e Pelé só fez o gol de empate no último minuto do jogo. O Rei recebeu passe de Coutinho, encobriu Manga e entrou no gol com bola e tudo.

No primeiro jogo da decisão contra o Boca Juniors, no Maracanã, em 4 de setembro, Coutinho teve grande atuação, marcou os dois primeiros gols santistas e Lima fez o terceiro. Com 3 a 0 no marcador, o Santos se descuidou, tirou o pé e sofreu dois gols de Sanfilippo nos três minutos finais da partida: 3 a 2. O resultado, da forma como o Boca diminuiu a contagem, dava a impressão de que o Santos seria superado pelos argentinos no caldeirão do La Bombonera, com a torcida e a catimba contra. Mas o Santos já era campeão mundial (derrotou o Benfica na decisão de 1962).

PRIMEIRO JOGO DA DECISÃO 

SANTOS - Gylmar; Dalmo, Mauro e Geraldino; Calvet e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

BOCA JUNIORS - Errea; Magdalena, Marzolini (Orlando Peçanha) e Simeone; Rattin e Silveira; Grilo, Menéndez, Rojas, Sanfilippo e Gonzaléz. Técnico: Aristóbolo Deambrosi

GOLS: Coutinho, aos 2 e 21, e Lima, aos 28 minutos do 1º tempo; Sanfilippo, aos 43 e 44 do 2º

JUIZ: Marcel Albert Bois (França)

RENDA: Cr$ 41.770.718,00

PÚBLICO: 63.376 pagantes

O Santos sabia que iria enfrentar uma verdadeira guerra no jogo de volta e chegou três dias antes a Buenos Aires para que os jogadores sentissem o clima da cidade argentina. A confiança dos argentinos na vitória do Boca serviu de motivação para os santistas. Sem precisar da vitória para levantar a taça da Libertadores pelo segundo ano seguido, o Santos adotou uma postura mais defensiva para surpreender o adversário nos contra-ataques. Mas, num erro de marcação de sua defesa, permitiu que o Boca saísse na frente no marcador. Estava tudo saindo de acordo com a previsão dos argentinos, só faltou combinar com os endiabrados Coutinho e Pelé, autores do gol da virada do campeão das Américas. Aquele Santos era infernal.

SEGUNDO JOGO DA DECISÃO

BOCA JUNIORS - Errea; Magdalena, Orlando Peçanha e Simeone; Rattin e Silveira; Grilo, Menéndez, Rojas, Sanfilippo e Gonzaléz. Técnico: Aristóbolo Deambrosi

SANTOS - Gylmar; Dalmo, Mauro e Geraldino; Calvet e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula

GOLS: Sanfilippo, a 1 minuto, Coutinho, aos 5 e Pelé, aos 37, todos no segundo tempo

JUIZ: Marcel Albert Bois-FR

RENDA: Cr$ 135.000.000,00 (R$ 16.917.300 pesos)

PÚBLICO: 85.000 pagantes

LOCAL: Estádio La Bombonera, em Buenos Aires

 

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