Santos discute aplicação de dinheiro

O Santos está preparando seu cofre para receber os U$ 30 milhões que conseguiu com a venda de Robinho para o Real Madrid. A diretoria começa a planejar como irá gastar esse dinheiro, mas já sabe que parte dele será aplicado para evitar que o clube volte um dia a enfrentar a crise que passou durante um longo período, iniciado quando o Rei Pelé parou de jogar e só encerrado com o surgimento dos novos Meninos da Vila em 2002. O assunto está sendo analisado de forma sigilosa. Há a informação de que o presidente Marcelo Teixeira irá reservar a maior fatia para a ampliação da Vila Belmiro para 40 mil torcedores, o que daria condições de o time disputar em casa as finais de campeonatos. O departamento de futebol amador ganhará um Centro de Treinamento específico, na entrada da cidade. Esses dois investimentos irão aumentar o patrimônio do clube. A estabilidade financeira é outra preocupação constante de Marcelo Teixeira, principalmente depois de ter montado um time milionário na primeira dessa série de três gestões no comando do Santos. Animado com a possibilidade de uma parceria, ele chegou a adiantar R$ 26 milhões para bancar o projeto que acabou não dando certo. Os recursos não chegaram, enquanto Rincón, Edmundo e outros craques do passado acabaram não dando certo, ganharam salários milionários e alguns deles ainda aguardam o julgamento das ações que entraram contra o clube na justiça do trabalho. Essa política mantida nos anos de 2000 e 2001 levou o clube a uma crise sem precedentes e só foi suportada porque o Teixeira nunca forçou para receber o dinheiro emprestado. Nesse ambiente de crise financeira, o presidente foi reeleito e logo iniciou o processo de dispensa do time milionário. Contratou Emerson Leão, que estava desempregado, e ofereceu a ele um time muito jovem e desacreditado. Foi um longo período sem futebol, por conta da desclassificação prematura em algumas competições e pela Copa do Mundo. Durante essa alongada pré-temporada, o treinador percebeu que tinha uma jóia nas mãos e resolveu montar a equipe com jogadores jovens e desconhecidos, como Diego, Robinho, recriando os Meninos da Vila. A folha salarial foi reduzida ao máximo, enquanto algumas das estrelas que estavam deixando a Vila Belmiro recebiam suas milionárias indenizações. E o novo time deu certo, vencendo o Brasileiro de 2002 e mudando radicalmente a vida do Santos. Há muito tempo o clube não atrasa os pagamentos dos jogadores. O dinheiro começou a aparecer com a conquista e com algumas negociações e atualmente é um dos times mais sólidos do País. Nos quatro maiores negócios realizados nos últimos doze meses, o Santos faturou US$ 51 milhões com a venda de Robinho, Diego, Alex e Elano. Parte desse dinheiro foi usado para diminuir a dívida do Santos com a família Teixeira, que era de R$ 26 milhões e está atualmente em R$ 12 milhões. Com as finanças estabilizadas, o CT Rei Pelé tem recebido constantes melhorias e está sendo construído nessa mesma área o hotel em que os jogadores ficarão concentrados. TIME - Investimentos patrimoniais à parte, a preocupação é com a montagem do time, que perdeu recentemente jogadores importantes como o lateral-esquerdo Léo e o centroavante Deivid. Robinho conta os dias para se apresentar ao Real Madrid e Ricardinho pode seguir os passos do atacante e voltar a trabalhar com Vanderlei Luxemburgo. Gallo coordena essa reformulação e vários jogadores foram contratados a pedido do treinador. O melhor deles é Giovanni e os santistas querem agora outros jogadores desse nível, acostumados que estão com o futebol apresentado nos últimos anos por Robinho e companhia. Atletas que atuam no exterior estão sendo contatados e o clube pretende repatriar alguns deles, que mantenham a competitividade depois do adeus de Robinho. Gavião, que estava no Japão, treina no CT Rei Pelé e está quase contratado pelos santistas. Roger, do São Paulo, também está com um pé na Vila Belmiro e procura uma forma de rescindir o contrato, uma vez que o time do Morumbi quer ser indenizado pela saída do atleta.

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