Glauco de Pierri/Estadão
Glauco de Pierri/Estadão

Santos e Audax deixam renda em segundo plano nas finais do Paulistão

Clubes valorizam suas cidades e abrem mão do Pacaembu

Ciro Campos e Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2016 | 07h00

A Federação Paulista atendeu ao desejo dos clubes e confirmou que Osasco Audax e Santos vão decidir o título fora da capital. O primeiro jogo será domingo, às 16h, no estádio prefeito José Liberatti. O Santos, dono da melhor campanha entre os finalistas, vai decidir o título na Vila Belmiro, 8 de maio. Para decidir em seus “alçapões”, os dois clubes abriram mão de jogar em estádios com capacidade de público maior, como o Pacaembu, por exemplo, o que aumentaria as rendas das partidas. As razões foram distintas: o Audax quer se aproximar de sua torcida; o Santos acompanhou pedido da comissão técnica e jogadores.

Estreante em finais – nas edições de 2014 e 2015, o time caiu na fase de grupos –, o Audax preferiu jogar em casa para estreitar os laços com a cidade. O clube se mudou da zona sul da capital para a atual sede apenas em 2013, depois de se fundir com o Grêmio Esportivo Osasco. “Futebol envolve dinheiro, mas não é só isso. Estamos criando uma identidade com o município. Depois de ter enfrentado os grandes em sua casa, não seria justo com o torcedor jogar no Pacaembu na hora da final”, argumenta o ex-volante Vampeta, presidente do clube.

Para o Audax, fazer os dois jogos no Pacaembu faria uma diferença grande no balanço do clube. No jogo de quartas de final, diante do São Paulo, o time arrecadou R$ 327.050,00. Em 2014, quando Santos e Ituano decidiram o título no Pacaembu, a renda chegou a R$ 1,9 milhão. “Não são 100 mil ou 200 mil que vão resolver todos os problemas do clube. Podemos ganhar de outras formas”, continua o jogador pentacampeão com a seleção em 2002.

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, que detém o mando das finais, concordou. “Há uma arrecadação menor, mas tem que ter respeito ao torcedor, às instituições, ao que envolve uma partida. Decidimos em consenso com os clubes. Não tinha sentido escolher um local diferente”.

No caso do Santos, a diretoria decidiu seguir a opinião dos jogadores, que preferem decidir torneios em casa. Com o empate por 2 a 2 diante do Palmeiras, o Santos chegou a 26 partidas de invencibilidade na Vila Belmiro, com 22 vitórias e 4 empates. Exclusivamente no Campeonato Paulista, o Santos não perde desde 3 de abril de 2011. Além disso, o clube completa sua 8.ª final seguida no estadual. “É importante jogar na Vila Belmiro, é uma vantagem atuar no nosso estádio”, disse o presidente Modesto Roma. A proximidade com a torcida também pesou. “Temos de valorizar a cidade de Santos e a cidade de Osasco”, disse Modesto.

Embora a Secretaria de Segurança Pública tenha determinado que os clássicos até dezembro tenham torcida única, como foi no jogo entre Santos e Palmeiras, com presença apenas de santistas, os jogos em Santos e Osasco terão torcedores dos dois clubes. “Vamos trabalhar em cima de um projeto para apresentar às entidades de segurança”, disse Carneiro.

Para 2017, o regulamento sofrerá alterações. A federação estuda fazer jogos ida e volta em todas as fases decisivas. Neste ano, o Corinthians, com melhor campanha, teve o direito de jogar em casa, mas perdeu no tempo regulamentar e caiu nos pênaltis em partida. 

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