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Santos e São Paulo em pé de guerra

Santos e São Paulo estão em guerra. Não é pela liminar que Ricardinho conseguiu contra a gente do Morumbi, nem mesmo o assédio ao goleiro Roger, reserva de Rogério Ceni, pelo pessoal santista. A batalha é por dinheiro. Desde que os presidentes dos dois clubes se desentenderam na partilha da verba da televisão do Brasileirão 2004, a briga ficou feia. Na reta final da Libertadores, com boas possibilidades de São Paulo e Santos se cruzarem nas semifinais, a crise pode fugir do controle da cartolagem.Marcelo Teixeira, presidente do Santos, há muito não fala o mesmo idioma de Marcelo Portugal Gouvêa, presidente do São Paulo."Não temos bom relacionamento com o São Paulo e Corinthians. O Mustafá (presidente do Palmeiras) merece a nossa consideração", disse Marcelo Teixeira em recente entrevista.A crise entre o presidente do Santos e o do São Paulo começou quando os dirigentes dos clubes paulistas e cariocas se reuniram com a TV Globo, em 2002, para decidir a continuidade ou não do Torneio Rio-São Paulo. A competição era organizada pela Liga São Paulo-Rio, presidida por Eduardo Farah."Os torneios regionais eram mais rentáveis. Os clubes paulistas estavam unidos e votariam a favor da continuidade dos regionais, mas o presidente do Santos mudou de idéia", revelou Marcelo Portugal Gouvêa, na quarta-feira, dia 19, em entrevista à rádio Jovem Pan.Bancado pela Globo, o Rio-São Paulo pagava ao clube campeão R$ 3,2 milhões. Um time poderia acumular cerca de R$ 5 milhões em prêmios e cotas da televisão no torneio de no máximo três meses.Em cima desses R$ 5 milhões, Marcelo Portugal Gouvêa defendia os torneios regionais. Mas o Santos, segundo o presidente do São Paulo, traiu a unidade dos clubes paulistas. E contribuiu para sepultar o Rio-São Paulo, extinto do calendário brasileiro em 2002.Acabaram os torneios regionais e voltaram os campeonatos estaduais sob a égide das federações. A televisão recuou e passou a pagar menos. O Campeonato Paulista, por exemplo, rendeu à Federação Paulista de Futebol apenas R$ 12 milhões, pagos pela TV Globo.Do pacote dos R$ 12 milhões, os grandes clubes - Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos - levaram cerca de R$ 1,5 milhão cada um. Pouco, se comparado aos R$ 5 milhões que rendia para cada clube no Rio-São Paulo. Daí a implicância de Marcelo Portugal Gouvêa contra o desafeto Marcelo Teixeira.A briga voltou a esquentar entre os dois nas reuniões do Clube dos 13. Estava em jogo a distribuição das cotas de televisão do Campeonato Brasileiro de 2004.Por decisão do Clube dos 13, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Vasco receberiam as cotas mais altas, cerca de R$ 7 milhões para cada um, fora os direitos de venda do pay-per-view - R$ 50 milhões que seriam rateados entre os 24 clubes e mais R$ 7, 5 milhões de direitos de transmissão internacional do Brasileirão."O Santos reivindicou igualdade nas cotas de televisão, as mesmas que seriam pagas ao São Paulo, Palmeiras, Vasco, Flamengo e Corinthians. Votei contra", disse Marcelo Portugal Gouvêa. Esse voto do presidente do São Paulo foi decisivo para o Santos declarar guerra ao Morumbi."É óbvio que depois do meu voto na reunião do Clube dos 13 romperam-se as relações entre os dois clubes. Não tinha mais volta", insistiu Portugal Gouvêa.Marcelo Teixeira se aproximou de Mustafá Contursi, cartola poderoso no Clube dos 13 e na CBF. E passou a trabalhar contra São Paulo e Corinthians nas reuniões entre os presidentes. Apesar de se aliar ao dirigente palmeirense, o presidente do Santos não conseguiu reverter a distribuição das cotas de televisão do Brasileirão de 2004.Marcelo Teixeira argumentou que o seu time foi campeão brasileiro em 2002, vice em 2003, vice também da Libertadores ano passado e que merecia mais atenção. Tentou convencer outros dirigentes de que o Santos proporcionava boa audiência à televisão na transmissão dos jogos. Não conseguiu nada.Derrotado nos bastidores, Marcelo Teixeira dirigiu seus canhões para o campo de jogo. Foi atrás de Ricardinho, em litígio com o São Paulo. Acertou contrato e deu aval ao jogador para brigar na Justiça contra o ex-clube.O impasse é uma multa de R$ 2 milhões que Ricardinho deveria pagar ao São Paulo no caso de assinar com algum clube brasileiro em 2004. "Não somos contra o Ricardinho jogar no Santos ou em outro clube brasileiro. A multa está no contrato e ele tem de pagar para jogar em qualquer outro clube", avisou Marcelo Portugal Gouvêa.O Santos não deu bola, bancou a contratação de Ricardinho e deu suporte na Justiça para o jogador se livrar da multa. Foi mais uma picuinha contra o São Paulo.Outra acusação do Morumbi contra a Vila Belmiro: uma proposta ao goleiro Roger, reserva de Rogério Ceni. Roger tem contrato com o São Paulo até janeiro. O goleiro negou que tenha entrado em contato com o Santos, mas conversou com Ilton José da Costa, supervisor do clube, para encaminhar a transferência.Cuca, técnico do São Paulo, criticou Vanderlei Luxemburgo, entendendo que o treinador santista estava por trás da negociação com Roger. Na opinião de Cuca, o interesse em Roger seria uma forma de desestabilizar o seu time na reta final da Libertadores."Que cuidem do time deles e deixem a gente trabalhar sossegado", desabafou Cuca. Vanderlei Luxemburgo não fez nenhum comentário sobre as declarações do técnico do São Paulo. E o presidente Marcelo Teixeira também não se manifestou sobre a guerra entre os clubes.A crise pode crescer se os dois times se encontrarem nas semifinais da Libertadores. O São Paulo está em vantagem. Pode perder por até dois de diferença para o Táchira para garantir a vaga em San Cristóbal, Venezuela, quarta-feira. E o Santos tem de vencer o Once Caldas, quinta-feira, em Manizales, Colômbia, para se classificar.Está em jogo R$ 6,3 milhões, prêmio acumulado ao campeão da Copa Libertadores da América. Dinheiro grosso em tempos de crise geral no futebol. Vale tudo para meter a mão nessa bolada. A semana é decisiva para os dois clubes.E pode sair faísca nos bastidores e no campo de jogo se Santos e São Paulo se encontrarem nas semifinais da Libertadores. A guerra, por enquanto, está pesada apenas entre os dirigentes. A próxima batalha pode ser campal.

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