Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Gonçalo Junior e Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2018 | 05h00

Santos e São Paulo fazem neste domingo, a partir das 16h, na Vila Belmiro, um clássico por diferentes e importantes objetivos na 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Enquanto o time da Vila busca se aproximar do grupo que almeja uma vaga na próxima Libertadores, a equipe do Morumbi tenta se manter na briga direta com o Internacional pela liderança. 

Cuca vai comandar o Santos pela primeira vez em um clássico desde seu retorno ao clube. O técnico acredita que a boa fase do time, que não perde há oito partidas, não sofrerá influência direta pelo jogo com o São Paulo. "É clássico, jogo importantíssimo, mas coisas continuariam no mesmo ritmo. Estamos no caminho certo, vocês sabem de invencibilidade. É construção do trabalho, confiança voltando, e cada jogo é um teste. Seremos provados mais uma vez. Primeiro clássico comigo e temos confiança por um jogo", afirmou o treinador, em entrevista coletiva no CT Rei Pelé.

O jogo representa a chance de o Santos se aproximar da briga por uma vaga na Libertadores. O time está a dez pontos do Grêmio, sexto colocado e último, hoje, entre os que se classificam para o torneio no ano que vem.

"(Se vencer) Caminha a uma vaga para a Libertadores, seis, sete ou oito. É nosso projeto, nos reunimos na minha sala. Fizemos exercício com o calendário, prognósticos, exercícios que eu gosto. Fizemos ideia do que temos que fazer. No ano passado o sexto acabou com 56. Teríamos que fazer 25, 50% dos pontos. Mais ou menos com isso que trabalhamos", revelou Cuca.

Cuca tem diversas opções no ataque para o clássico contra o São Paulo. Derlis González, Bruno Henrique e Eduardo Sasha, por exemplo, disputam uma vaga no ataque ao lado de Gabigol e Rodrygo. "Dá para jogar com os quatro, mas não sabemos se é o certo. O que fizermos está meio certo e o que vai falar que é certo é o resultado final", filosofou o treinador.

São Paulo abre o olho para rodada traiçoeira

Com três vitórias e duas derrotas nos clássicos que disputou no comando do São Paulo, seu melhor retrospecto nesse tipo de duelo considerados os trabalhos no Brasil, o uruguaio Diego Aguirre sabe que a rodada poderá levar o time do céu ao inferno dependendo da combinação de resultados.

Empatado em pontos com o Internacional (49), o clube tricolor leva a pior apenas no saldo de gols (18 a 17). Caso seja derrotado na Vila, porém, poderá perder até a vice-liderança para o Palmeiras, que visita o Bahia. Já uma vitória fará a equipe ir dormir na ponta, já que os gaúchos só entram em campo nesta segunda, contra a Chapecoense, na Arena Condá.

"Se você analisar o São Paulo, estamos tentando jogar da mesma forma em casa e fora. Isso, não vou mudar. É um jogo muito difícil, como tantos outros. Respeitamos muito o Santos, mas vamos tentar ganhar", prometeu Aguirre, em entrevista exclusiva ao ESTADO, na última sexta-feira.

Para isso, ele conta com a volta do atacante Everton, ausente dos últimos três compromissos devido a uma lesão muscular. Ele formará novamente o quarteto ideal com Diego Souza, Nenê e Rojas. Reinaldo, que cumpriu suspensão na vitória da última rodada, sobre o Bahia, também retorna. Em compensação, Bruno Peres não joga e, como Régis cumprirá gancho pelo terceiro amarelo recebido diante dos baianos, Aguirre precisará improvisar alguém na lateral direita. Araruna e Hudson são as opções mais prováveis.

FICHA TÉCNICA

SANTOS: Vanderlei; Victor Ferraz, Robson Bambu, Gustavo Henrique e Dodô; Alison, Carlos Sánchez e Diego Pituca; Derlis González (Eduardo Sasha), Gabigol e Rodrygo. Técnico: Cuca.

SÃO PAULO: Sidão; Araruna (Liziero), Bruno Alves (Arboleda), Anderson Martins e Reinaldo; Hudson, Jucilei e Nenê; Rojas, Everton e Diego Souza. Técnico: Diego Aguirre.

Juiz: Ricardo Marques Ribeiro (MG).

Local: Vila Belmiro.

Horário: 16h.

Na TV: Globo.

Ao vivo: estadao.com.br/e/sfcvivo

 

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Aguirre: ‘O São Paulo estava com fome de voltar a ser competitivo’

Em entrevista exclusiva, treinador diz o que mudou no time desde a sua chegada e aponta qual o maior concorrente na luta pelo título

Entrevista com

Diego Aguirre, técnico do São Paulo

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2018 | 05h00

Um gigante adormecido. Foi o que o uruguaio Diego Aguirre encontrou ao desembarcar no São Paulo em março, para o terceiro trabalho no Brasil. "Times grandes, às vezes, estão um pouco adormecidos, mas, quando acordam, vão com tudo. Por isso, o São Paulo não está me surpreendendo", diz o técnico da equipe que briga ponto a ponto com o Internacional pela liderança do Campeonato Brasileiro

Nesta entrevista exclusiva ao ESTADO às vésperas do clássico contra o Santos, neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro, o uruguaio explica o que mudou na equipe de lá para cá, aponta as maiores virtudes do elenco e revela qual concorrente mais preocupa na luta pelo título brasileiro: o próprio São Paulo. 

Você já tem mais jogos no São Paulo (34) do que teve no Atlético-MG (31) e, com os 14 restantes do Brasileirão, igualará os 48 que teve à frente do Internacional. Para dizer que o São Paulo será o seu trabalho de maior duração no Brasil, você precisará estar na estreia do Paulistão de 2019. O torcedor já pode contar com isso?

É uma coisa provável, mas que ainda não está definida apenas porque agora não é momento de tirar o foco do que estamos fazendo, dos jogos, e de terminar bem esta temporada. Depois, voltaremos a falar. Já disse que estou feliz no São Paulo, é provável que continue aqui, mas ainda não quero nem falar disso.

O seu contrato possui alguma cláusula dizendo que, em caso de convite da seleção uruguaia ou de algum clube europeu, o São Paulo tem de liberá-lo?

Nenhuma cláusula. A prioridade absoluta e total é meu compromisso com o São Paulo. Não quis nem falar de nenhuma outra possibilidade.

Quando você chegou, apostava que, em meados de setembro, estaria brigado pelo título brasileiro ou foi uma surpresa até mesmo para você?

Quando pego um time da história e grandeza do São Paulo, vejo como algo possível. Que é difícil, sim, mas já estou acostumado. Times grandes, às vezes, estão um pouco adormecidos, mas, quando acordam, vão com tudo. Por isso, o São Paulo não está me surpreendendo.

E qual foi o seu papel para despertar o São Paulo?

O São Paulo estava precisando viver um momento bom, vinha de um período em que as coisas não estavam bem, mas não é apenas o trabalho nosso da comissão técnica. Todo o São Paulo estava precisando, com fome de voltar a ganhar alguma coisa, ser competitivo. 

Quais os pontos fortes que você destacaria deste elenco?

Uma das coisas mais fortes que temos é o compromisso, a determinação, a atitude. Não apenas nos jogos, mas nos treinos. E é algo que os jogadores vêm demonstrando, estão comprometidos. (Nesse momento, o meia-atacante Nenê passa pelo local da entrevista e brinca com Aguirre, dizendo que ele fizera aniversário no dia anterior e prometera pagar um churrasco se o time ganhasse do Santos. “Carne uruguaia, com churrasqueiro uruguaio”, responde o treinador, com bom humor).

O Internacional vive situação parecida porque também só tem o Brasileiro com que se preocupar, assim como o São Paulo...

Não, não é apenas isso.

Mas minha pergunta é se, de fato, é o concorrente que mais lhe preocupa para esta reta final?

Não, quem mais me preocupa é o São Paulo, não os rivais. Porque dependemos do que nós teremos de fazer. Os outros têm de fazer o trabalho deles. Minha preocupação é o São Paulo, manter o nível, continuar com um jogo que tem sido muito bom até o momento. E falo de verdade, não é... Precisamos ter o nosso nível para vencer o próximo adversário. Depois, vão acontecer coisas. Não sei se Inter, se Palmeiras, se Grêmio. Não sei, minha cabeça está aqui.

Eu interrompi, você iria dizer alguma coisa sobre não ser só a preocupação com o Brasileiro...

Sim, é algo que aconteceu e... Eu gostaria de estar jogando a Libertadores, não é que estou bem porque só tenho o Campeonato Brasileiro. Estamos focados no que temos de fazer, mas gosto de jogar a Libertadores. É um dos objetivos que temos de conquistar também, para no ano que vem estarmos nessa competição.

Será uma frustração se o São Paulo não for campeão?

Frustração é uma palavra muito dura. Não sei. Essa resposta, posso dar apenas se acontecer isso. Assim como ninguém acreditava que nós poderíamos estar hoje na liderança. Não é momento de falar. Se acontecer, poderei responder.

O que acha que o Cuca trouxe ao Santos para fazer o time ter esse salto de qualidade?

Cuca é um grande treinador, Carlinhos Neves (preparador físico), com quem trabalhei no Atlético-MG, é um cara muito bom, capacitado. Não me surpreende o Santos, um time forte, um time grande, com bons jogadores. É normal que sejam um adversário de muito risco.

Há algum jogador específico do Santos que lhe agrada e você gostaria de ter aqui no São Paulo?

Sim, tem muitos bons jogadores de alto nível.

Mas você poderia citar alguns?

Não, não vou falar de nenhum porque, para mim, os jogadores do São Paulo são os melhores. Mas o Santos tem jogadores que qualquer treinador gostaria de ter.

O Gabriel imagino que seja um deles, por ser o artilheiro.

Isso, é você quem está dizendo (risos).

Um empate na Vila poderá ser considerado um bom resultado?

Não, depende de como acontece. Se você merece ganhar e empata, não é bom. Se o outro time é melhor e você tem o empate, bem, poderia ser bom. Mas previamente...

Mas numericamente, analisando apenas a tabela...

Não, mas se você analisar o São Paulo, estamos tentando jogar da mesma forma em casa e fora. Isso, não vou mudar. É um jogo muito difícil, como tantos outros. Respeitamos muito o Santos, mas vamos tentar ganhar.

Da sua experiência no futebol brasileiro, o que destacaria de bom e de ruim?

De bom, organização, estádios, times fortes, estruturas de trabalho, jogadores de alto nível. Coisas negativas não sei, porque para mim a liga brasileira é a mais importante da América do Sul, a mais competitiva, forte. Agora que já tenho uma experiência, por mais que seja uruguaio, me sinto parte da cultura brasileira.

 

 

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Cuca: 'O São Paulo está pronto, mas o Santos joga em casa. Isso equilibra'

Técnico do Santos conta como conseguiu levar o time da Vila da zona de rebaixamento ao sonho da Libertadores

Entrevista com

Cuca, técnico do Santos

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2018 | 05h00

Para levar o Santos da zona do rebaixamento ao sonho de uma vaga na Libertadores, o técnico Cuca explicou o que queria para cada jogador. Conversas individuais. O desafio agora é blindar a equipe da crise política. Mesmo assim, ele acha que o planejamento de 2019 está em risco. “A gente não começa a montar o time em dezembro. Começa já”, disse ao Estado.

Como tirar um time da zona de rebaixamento e levá-lo a sonhar com a Libertadores?

Não é um ingrediente só. Fomos repetindo o time, a maneira de jogar e eles foram pegando corpo. Falei com quase todos. A torcida ajudou. Deu banho de sal grosso e apoiou.

Como recuperou o Gabriel?

Eu o deixei fora para que assistisse à partida junto comigo no banco. Eu falei que o time não estava jogando bem e que não era culpa dele. Isso fez bem para ele. Também teve uma mudança de posição. Ele tem a presença de área.

Quem é favorito hoje?

O São Paulo está mais pronto. Tem um elenco fortíssimo, já está estabilizado. Estamos em ascensão, mas jogamos em nossa casa, o que faz o jogo ter uma igualdade.

A crise política atrapalha?

O presidente falou para eu cuidar do campo que ele cuidaria da parte de lá. Para mim, está ótimo. Vou cuidar do campo. O vestiário está blindado.

E as contratações?

O que atrasa um pouco é que você não faz a montagem do elenco em dezembro. Você começa a fazer já. Quem chega primeiro é quem pega as coisas melhores. Isso faz falta.

O fato de você ter dito que o time precisa se profissionalizar deixou sua relação com o presidente estremecida?

Eu não falei isso.

Não falou?

Vocês me perguntaram. Eu não fui falar do nada. Vê como as coisas são diferentes. Eu podia ficar em cima do muro, mas disse o que achava. Não era uma crítica, era uma resposta sincera. Estou sentindo que as coisas começaram a melhorar aqui.

O clube melhorou após suas críticas?

Sim, o efeito foi imediato. Estou sentindo que as coisas estão andando de maneira mais rápida aqui. Até eu, sinto que estou trabalhando mais. Já houve um efeito. E vão ocorrer outros. O Santos é o time que mais cria jogadores. O trabalho da base é bom. Quando não temos uma peça, estamos correndo para a base. Eles são o remédio.

Como você se sente ao retomar sua carreira?

Todo mundo fala que minha segunda passagem pelo Palmeiras não foi boa. Eu acho que foi boa. Na primeira passagem, nós fomos campeões; na segunda, fomos vice. Quando eu saí, o time estava em quarto. O Alberto entrou e ficou em segundo. O saldo final, em cima de montagem do time e conquistas, foi bom. Dei uma paradinha para mim mesmo e estou renovado.

Quem é o Cuca hoje?

Sou um cara mais tranquilo. O tempo passa e vai acalmando a gente. A gente vai ficando mais experiente e pode passar o aprendizado para a molecada.

Está satisfeito com os árbitros?

São os mesmos erros. A paciência está curta com tudo. O cara cometeu um erro pequeno e todos já estão com o dedo no rosto dele. Não sei se é o momento de crise do Brasil...

Você está preocupado com o Brasil?

Preocupadíssimo. Eu queria eleger um cara que me representa, um de minha confiança. Eu só queria ter um que vai fazer o bem para o povo. Não sinto que a gente alguém para colocar. Isso dói muito. A gente tinha de ter mais confiança. O Brasil só vai ser bom se a gente colocar as crianças na escola e, dentro de 15 anos, elas serão formadas. Esse é o tempo para o País melhorar. É a fundação.

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