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Santos em perigo

A vitória sobre o Coritiba pode ter sido a última partida de Lucas Lima e de Gabigol com a camisa do Santos. Com a janela de transferências escancarada, dificilmente os convocados por Dunga para a Copa América voltarão à Vila Belmiro.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2016 | 03h00

Além de esvaziar a equipe de talento, a possível saída dos jogadores modificará seu perfil técnico e tático. Na prática, Dorival Júnior será obrigado a reformar o time com o Campeonato Brasileiro em andamento, drama vivido por quase todos os seus colegas, fato que amplia o circuito da instabilidade.

Os resultados do Santos não dependem apenas do desempenho dentro de campo. Vários fatores interferem no rendimento, e o caixa vazio é um perigo. Existem inúmeros casos de administrações temerárias que deram certo, que não danificaram o produto final. E que não devem ser copiadas.

Campeão brasileiro na temporada passada, o Corinthians disputou quase toda a competição devendo salários. Fechada em torno de Tite, a equipe foi sendo construída rodada a rodada, até o título. Mas não pode servir de modelo, não se deve transformar o absurdo em exemplo administrativo. Trata-se de uma exceção.

Quebrado, o Santos corre perigo. Em 2015, utilizou 102% de suas receitas no futebol, ou seja, mais do que arrecadou, o que tinha e o que não tinha. O ideal seria destinar 70% dos recursos do clube ao time, embora os dirigentes prefiram 80%, como ficou estabelecido no Profut. Os 20% restantes, teoricamente, deveriam ser absorvidos pelo pagamento de dívidas, impostos e custeio da instituição.

Com a capacidade de investimento comprometida, o Santos não poderá gastar muito nas reposições, precisará da base e de criatividade. Venceu o Paulistinha com baixo custo, mas o torneio não serve como parâmetro. O Campeonato Brasileiro é muito mais exigente e perigoso.

A seleção leva as principais estrelas e a CBF não aceita pagar os salários dos convocados. Funcionou sempre assim e dificilmente mudará algo nessa relação. O problema está nos clubes, que reclamam, apesar de perfeitamente ajustados ao sistema.

Tristes são os argumentos da CBF. Ainda na pré-história do futebol, seus cartolas vendem a ideia de que a seleção valoriza os jogadores. Óbvio que valoriza, mas para a venda que traz o dinheiro necessário para a manutenção do atraso e do calendário bizarro. É de doer.

A Confederação, que deveria fomentar o futebol e trabalhar pelo fortalecimento das equipes, acredita que as ajuda esvaziando seus elencos. Não é perverso? A CBF age como concorrente e oferece como benefício o mal que leva ao empobrecimento do campeonato.

O correto seria trabalhar por um futebol exemplar, mas a cartolagem não liga para os clubes, seu alvo são as federações e os votos que mantêm a turma no poder.

O Santos não é coitadinho, é vítima de um sistema avalizado por seu presidente. Se os clubes estão tecnicamente quebrados, o mesmo não se pode dizer da CBF. A liquidez da entidade é de R$ 227 milhões. Acorda, futebol!

PALMEIRAS

Há duas maneiras de se analisar a derrota do Palmeiras para a Ponte Preta. A primeira é a queda de rendimento do time de Cuca, que tão boa impressão deixou na primeira rodada. A vibração que uniu os setores no Allianz desapareceu em Campinas.

A segunda explicação é o jogo da Ponte. Eduardo Baptista travou a saída de bola do Palmeiras pelas laterais. Naturalmente, a segunda opção era buscar o meio de campo, também dominado pela marcação. Não existe time pronto neste Brasileirão. Por enquanto, todos precisam de desenvolvimento.

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