Ivan Storti/ Santos FC
Ivan Storti/ Santos FC

Santos faz de tudo para se livrar de Cueva, mas não está nada fácil

Desde a Copa América, quando foi vice-campeão, ele jogou apenas uma vez, no segundo tempo da partida contra o Flamengo

Mateus Silva Alves, Especial para o Estado

04 de outubro de 2019 | 14h23

Quando o Santos anunciou a contratação do meia peruano Christian Cueva, em fevereiro, não faltaram narizes torcidos entre os alvinegros. Motivo: em sua passagem pelo São Paulo, entre 2016 e 2018, o jogador mostrou na mesma proporção intimidade com a bola e falta de apreço à disciplina. Oito meses depois, as previsões mais pessimistas se concretizaram e a diretoria santista deseja ardentemente se livrar do meia. Mas não está nada fácil.

Há uma semana, Cueva meteu-se em sua mais recente encrenca: em uma casa noturna de Santos, o peruano bateu boca com um torcedor e só não houve agressão física porque o meia foi contido. Alguém que estava por perto filmou a confusão e, como é comum nos dias de hoje, as imagens espalharam-se rapidamente pelas redes sociais.

Quando percebeu que era impossível ignorar o incidente, o Santos decidiu suspender o meia por dois dias, período que antecedeu sua apresentação à seleção do Peru, que vai disputar dois jogos contra o Uruguai, nos dias 10 e 14. Esses amistosos caíram do céu para a diretoria santista, que ganhou tempo para decidir o que fazer. Oficialmente, o caso está nas mãos do departamento jurídico.

"Já falei de direitos e deveres. Não se pode analisar as coisas de maneira isolada. É preciso ter cuidado. Ele vai estar na seleção peruana e vamos definir as coisas com o departamento jurídico nesse período. Temos de ter muito cuidado porque o jogador é um patrimônio do clube", disse o superintendente de futebol Paulo Autuori.

O Estado procurou o departamento jurídico do Santos para saber qual será a atitude tomada pelo clube no "caso Cueva", mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.

Enquanto isso, em Lima, Cueva alegou que estava na casa noturna para jantar com um amigo e que apenas se defendeu de um torcedor que, segundo ele, tentou agredi-lo com uma garrafa. Ainda assim, o meia se disse arrependido por ter se metido em mais esse problema.

"Eu me equivoquei de maneira infantil, porque maldade não há. Mas fui infantil", disse o jogador ao canal de tevê Movistar, de seu país. "E sou pai, tenho idade, tenho de ter melhores decisões. É a primeira vez que isso ocorre no Santos. Sinto que algo negativo sempre acontece."

OBSTÁCULO RUSSO

Para o Santos, por estranho que pareça, o episódio da casa noturna foi uma boa notícia. Isso porque Cueva é um problema para o clube desde muito antes do incidente. Contratado para ser a grande força criativa do time dirigido por Jorge Sampaoli, ele nunca rendeu bem e perdeu a confiança do técnico argentino. Desde a Copa América, da qual foi vice-campeão, jogou apenas uma vez, no segundo tempo da partida contra o Flamengo. No total, foram só  16 partidas pelo Peixe, sem nenhum gol ou assistência.

A missão dos advogados do Santos agora é encontrar uma brecha no contrato de Cueva que permita o rompimento do vínculo por indisciplina. Há no documento cláusulas que preveem punições por mau comportamento fora do campo, mas a diretoria alvinegra enfrenta um grande obstáculo chamado Krasnodar.

Oficialmente, Cueva está emprestado pelo clube da Rússia, mas o Santos assumiu o compromisso de comprar seus direitos econômicos no começo do ano que vem por cerca de R$ 26 milhões. E agora tenta se ver livre dessa obrigação. Segundo o presidente José Carlos Peres, dois clubes (um do México e um da Arábia Saudita) interessaram-se recentemente pelo meia e o Peixe tentou simplesmente transferir o acordo com o Krasnodar para uma dessas agremiações, mas os russos disseram não.

Em má situação financeira, o Santos está desesperado para evitar o pagamento dos tais R$ 26 milhões. O clube tem até o dia 15, quando Cueva estará de volta, para encontrar uma solução, mas é difícil que apareça uma fórmula mágica que faça os alvinegros escaparem do prejuízo causado por uma contratação que claramente não deu certo. Quanto ao peruano, é pouco provável que ele volte a ser notícia pelo que faz dentro dos gramados, ao menos enquanto ainda estiver na Vila Belmiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.