Santos: nova reunião para aprovar estatuto

Com a suspensão dos efeitos da liminar que a oposição havia conseguido para impedir a reformulação dos estatutos do Santos, o Conselho Deliberativo publicou nesta quinta-feira edital convocando para nova reunião na terça-feira discutir e votar a redação final do novo estatuto. Com isso, as normas aprovadas na reunião que havia sido sustada pela justiça estão valendo. A principal alteração é a que permite a reeleição ilimitada do presidente, com a qual o presidente Marcelo Teixeira vai se candidatar ao terceiro mandato consecutivo.Para a oposição, porém, nada está perdido. "O jogo está empatado em 1 a 1, mas temos um pênalti para bater", disse o empresário Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro, candidato oposicionista à sucessão de Teixeira pela Resgate Santista. Ele informou que há outros recursos judiciais para "impedir esse golpe às vésperas das eleições" e que confia na não aprovação do novo estatuto.Ele aponta que as novas normas irão vigorar a partir de 2004, mas teme algum golpe que impeça os novos sócios de votarem na eleição de dezembro. A Associação Resgate Santista conseguiu registrar 1.600 sócios no ano passado e o temor é de que possam ser impedidos de votar.Outro ponto que ele desaprova é a exigência de que o candidato à presidência tenha tido dois mandatos no Conselho Deliberativo. "Essa medida impede que 98% das pessoas que têm proposta para o time sejam candidatos à presidente, perpetuando alguns no poder, pois impossibilita a renovação". Para ele, "é um retorno à monarquia e o Santos não deve ter um dono".TUDO CERTO - O diretor jurídico do Santos, Mário Mello, não se surpreendeu com a suspensão dos efeitos da liminar conseguida pela oposição. "Fizemos tudo de acordo com a lei, que prevê a adequação do estatuto ao novo Código Civil até 10 de janeiro de 2004". Essa mudança, segundo ele, deve ser feita de acordo com a norma existente, que é o atual estatuto, de acordo com o artigo 2031 do novo Código."Está tudo certo, tudo foi feito da forma correta", comentou o advogado. Segundo ele, "todos os direitos adquiridos foram respeitados e os sócios inscritos no ano passado terão direito a voto". Mello atribui à "má-fé" a desconfiança dos oposicionistas que, "conhecendo o novo estatuto, continuam falando de uma coisa que não existe".Mário Mello destacou também que o estatuto prevê que os dirigentes serão eleitos por assembléia de associados e não pelos conselheiros."Eles estão reclamando porque sabem que se o Marcelo Teixeira for candidato, não terão a menor chance de vencer".Na terça-feira, data prevista para a reunião do Conselho, pode haver mais alguma medida judicial. Os dois lados acreditam que a batalha na Justiça será longa e, dependendo de como irão de desenrolar os procedimentos judiciais, o Conselho Deliberativo poderá prorrogar o mandato de Teixeira até a realização de eleições.

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