Hélvio Romero/Estadão
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Santos, o melhor de SP

Palmeiras, Corinthians e São Paulo tiveram temporada decepcionante

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2019 | 04h00

Os quatro grandes clubes de São Paulo disputarão a próxima Copa Libertadores. Mas o que, a priori, parece motivo de euforia e exaltação à aparente força do futebol paulista, na verdade esconde, para quem prefere não ver, a decepcionante temporada de três integrantes desse quarteto.

Exceto pelo Santos, que sob o comando do ótimo Sampaoli, mesmo em um ano sem troféu, jogou bom futebol, empolgou e foi além do que se imaginava. Os demais deixaram a desejar, algo que não se disfarça com classificação para o certame sul-americano, reflexo da farta distribuição de vagas pela Conmebol.

Com o argentino à frente, os santistas sentiram-se orgulhosos do futebol praticado, a ponto de colocarem em segundo plano as decepções em torneios mata-mata nos quais a equipe poderia ter ido mais longe. Foram, de fato, frustrantes as eliminações no Pacaembu ao longo de 2019.

Na Copa Sul-americana, o Santos foi eliminado pelo pequeno River Plate uruguaio, vítima de um gol em contra-ataque. Pressionou, mas não conseguiu o tento da vitória, caindo de maneira melancólica no estádio vazio, já que uma punição impediu a presença da torcida. Foi um momento ruim de Jorge Sampaoli. Da mesma forma, o argentino se equivocou nas escolhas e nas estratégias adotadas diante de Atlético-MG e Palmeiras em intervalo de uma semana. Perdeu em Belo Horizonte pela Copa do Brasil, poupou titulares no duelo paulista pela Série A, quando foi goleado (4 a 0) e voltou a perder para o Atlético em São Paulo.

No duelo semifinal do Campeonato Paulista, também no estádio municipal, os santistas impuseram sobre o Corinthians a maior superioridade vista em anos de um grande sobre outro em clássico paulista. A vitória por 1 a 0 não retratou o massacre santista. Faltou um gol. E os corintianos venceram, nos pênaltis.

Fracassos doloridos para o torcedor, mas que não o desanimaram. Sampaoli é festejado, saudado por santistas que clamam por sua permanência, muito difícil ante os problemas financeiros do clube, cenário agravado pela falta de bom diálogo com a presidência. A tendência é que ele se vá.

O argentino abriu mercado, é desejado pelo Palmeiras, que acena com dinheiro, elenco forte e estrutura. E pelo Racing, campeão argentino, que tenta atraí-lo com a oportunidade de, finalmente, ser reconhecido em seu país, como já é em outros, casos de Chile e, mais do que nunca, Brasil.

O São Paulo investiu para ser campeão. Só Pablo custou 7 milhões de euros, fora Alexandre Pato, Daniel Alves, Juanfran, Tchê Tchê, Vítor Bueno, Thiago Volpi, Calazans, Igor Vinícius, Hernanes, Raniel, Léo Pelé... Mas não passou da vaga direta na Libertadores a 27 pontos do campeão Flamengo.

O Corinthians, mesmo sem dinheiro, foi ao mercado buscar Sornoza, Boselli, Vágner Love, Gil, Manoel, Júnior Urso, Ramiro, Everaldo, Matheus Jesus e teve Gustagol de volta após empréstimo, entre outros. E não foi além de uma oportunidade de jogar a primeira fase da Libertadores (no Brasil conhecida pelos torcedores de pré-Libertadores).

Se são-paulinos e corintianos não corresponderam às expectativas de seus torcedores, o que dizer do campeão nacional de 2018, o Palmeiras, com seu elenco caro e treinadores badalados? Superado amplamente pelo Flamengo, fecha 2019 perdido e tentando se reencontrar.

O Santos fecha 2019 goleando o campeão por 4 a 0. Nem a postura menos competitiva dos rubro-negros na Vila Belmiro tira o brilho de um belo desfecho para uma temporada sem troféu, mas coroada pelo futebol bem jogado e competitivo. Pena que, pelos problemas do clube, essa bonita história pode ter vivido seu derradeiro capítulo.

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