Hélvio Romero/Estadão
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Santos, Palmeiras e a glória: como os rivais chegam à final

Palmeiras tem mais elenco, mas Santos vem praticando futebol melhor e até mais versátil

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2021 | 05h00

Em 2019, ao definir a final da Libertadores em jogo único após quase 60 anos apontando o campeão em duas partidas, a Conmebol enfatizou o slogan do certame em seu cotejo decisivo: “A Glória Eterna”. Em busca dela, Palmeiras e Santos vão se enfrentar no Maracanã em 30 de janeiro, revivendo uma peleja valendo o troféu mais importante entre brasileiros, o que não acontece desde a conquista do Internacional sobre o São Paulo, em 2006.

O Palmeiras tem mais elenco, o Santos mais time na acepção da palavra. Os comandados de Cuca vêm praticando um futebol melhor e até mais versátil. No Campeonato Brasileiro, por exemplo, os dois rivais têm praticamente o mesmo porcentual de posse de bola, pouco acima de 50% (o Flamengo, com 58%, lidera tal ranking pelos números do site Who Scored), mas isso não significa que sejam times com propostas de jogo iguais, idênticas.

Nas semifinais, ninguém jogou mais do que os santistas, superiores ao Boca Juniors na Argentina e muito, muito melhores do que o time xeneize na Vila Belmiro, um domínio tão amplo que surpreendeu, pela facilidade encontrada ao trucidar o sempre temido time de Buenos Aires, algoz de brasileiros em vários momentos na história do torneio, inclusive em decisões, contra os finalistas dessa edição, inclusive. O Santos vai além das expectativas.

Sim, a equipe dirigida por Cuca vai além porque, ao contrário dos demais semifinalistas dessa Libertadores, perdeu jogadores ao invés de contratar reforços, teve presidente afastado, vice assumindo, eleição, problemas diversos relacionados a dívidas, atletas saindo por falta de pagamento, etc. Uma montanha de problemas. Por outro lado, a cobrança em cima do elenco e seu treinador praticamente não existiu nessa caminhada, afinal, como cobrar em tal cenário?

O Palmeiras, por outro lado, não tem os problemas do rival, pelo contrário, paga em dia a todos e teve condições de investir em contratações, a principal delas Rony, que não rendia com Vanderlei Luxemburgo, foi fundamental em momentos relevantes sob o comando de Abel Ferreira. Contudo, o trabalho do técnico português é mais curto, ele chegou depois e teve os problemas relativos a surto de Covid-19 que outros como Cuca também enfrentaram.

A equipe é eficaz especialmente atuando da forma como jogava o grego PAOK, ex-time do técnico português. Bem organizada defensivamente, contra-atacando e utilizado o recurso da pressão no campo de ofensivo em determinados momentos para roubar a bola e agredir o oponente. Assim construiu os históricos 3 a 0 sobre o River Plate na peleja de ida semifinal, na Argentina. Um repertório ainda curto, mas que pode ser o bastante para erguer a taça.

A partida de volta, no Allianz Parque, foi extremamente preocupante para a torcida palmeirense, pela forma como os comandados de Marcelo Gallardo dominaram o jogo. Uma supremacia espantosa, que não resultou em classificação direta para a decisão por causa das intervenções do VAR. Atenção, isso não significa que a arbitragem de vídeo errou, mas que sem ela, em lances com detalhes tão pequenos, o gol seria validado e o pênalti a favor do River confirmado.

A decisão colocará frente a frente dois times que bem se conhecem, algo que pode pesar, ainda mais em jogo único. O Santos chegará ao Maracanã mais confiante, seguro de si, mas em 2015 também foi assim em outra final, e o Palmeiras conquistou a Copa do Brasil.

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