Santos prepara sucessão de Robinho

Neimar da Silva Santos Júnior. Esse é o nome da maior aposta do Santos para ser o sucessor de Robinho, dentro de três ou quatro anos. Afinal, trata-se um garoto de 13 anos de idade (completados dia 5 de fevereiro), 1,53 metro de altura, 38 quilos e talento de sobra, parecido com o camisa 7 santista ao chegar à Vila Belmiro, em 1999. "Comparado a Robinho, quando tinha 13 anos, Neimar é melhor, mais completo e mais eficiente nas finalizações", assegura uma das pessoas (pede para não ter o nome revelado) mais envolvidas na obsessiva busca santista por novos Robinhos e Diegos depois do sucesso do time na conquista de dois Campeonatos Brasileiros, de um vice na Copa Libertadores e do retorno financeiro após o lançamento dos dois talentos formados em casa.A confiança no garoto é tamanha que o clube criou no ano passado a categoria sub-12 (antigo mirim), para garotos nascidos em 1992, para abrigar Neimar, dando-lhe condições para cumprir uma das etapas de sua formação. Além disso, o Santos oferece ao menino condições de semiprofissional. Paga R$ 850 mensais de ajuda de custos, banca seus estudos (cursa a 7ª série num dos colégios particulares mais caros da Baixada Santista), além de lhe oferecer assistência médica e odontológica e duas refeições diárias na Vila Belmiro."A noite em que fui ver o Neimar jogar (futsal) foi uma das mais felizes da minha vida ultimamente", conta José Eli de Miranda, o ex-volante e capitão do melhor time santista de todos os tempos. "Ele não tem a velocidade de Robinho. É outro estilo, mas também é diferenciado."Neimar é filho de um ex-jogador do Coritiba e mora na Praia Grande, de onde sai diariamente às 6 horas para estudar, treinar e jogar na cidade de Santos. Como Robinho, foi descoberto quando tinha nove anos pelo técnico de futsal Betinho. A única diferença é que Robinho começou no salão do Beira-Mar e Neimar no Tumiaru, ambos de São Vicente."Tudo o que eu quero na vida é ser um grande jogador de futebol", afirma Neimar, entre um treino no campo e outro no ginásio, no Clube dos Portuários, que fica entre a Vila Belmiro e o Centro de Treinamentos Rei Pelé. "Nosso time tem muitos garotos bons e não me considero melhor do que ninguém. Acho que tenho muito a aprender. Meu pai diz que para ter futuro no futebol é preciso manter sempre a humildade."Em campo, Neimar entra com disposição nas divididas, varia as jogadas e exibe uma coleção de dribles que levou do salão para o campo. "Sei pedalar, mas não como o Robinho. Chuto de direita e de esquerda; mais forte com a direita", conta. Volta para ajudar na marcação, lança de primeira ou então avança com a bola dominada. Embora não seja dos mais altos no time, também ganha a bola pelo alto e cabeceia bem. Tem noção de colocação em campo, especialmente quando o time ataca.Todos os meninos respondem Neimar quando a pergunta é quem é o melhor do time. Também elogiam Elias, outro atacante, que gosta de jogar pelas pontas. "O apelido dele é Um, Dois, Três", conta Neimar. "É o quanto dá para contar para ele chegar lá na frente quando recebe a bola no meio-campo." Neimar e Elias são os dois maiores goleadores do time, cada um a seu estilo, mas o nome mais gritado pelos companheiros nos treinos é o de Neimar, geralmente, para cumprimentá-lo após um gol ou uma boa jogada.Há outros meninos que ?prometem?. Chico Formiga (ex-jogador e ex-técnico), gerente da categoria, não gosta de fazer comparações, mas também aponta Neimar como "menino de futuro", porém não deixa de destacar o goleiro Juan e o lateral-direito João Clécio. "Jogador de futebol é como impressão digital; pode até ser parecido, mas um é diferente do outro."Por isso, Neimar não vai ser um novo Robinho, embora possa se tornar um grande jogador. Tem qualidades para isso. "Guardem bem esse nome", costumam recomendar aqueles que acompanham Neimar desde os tempos do Tumiaru.O técnico, Alberto Vieira, o Beto, foi quem levou Neimar do futebol de campo da Portuguesa Santista para o Santos, no início do ano passado e hoje é o seu treinador. Seus olhos brilham quando é perguntado sobre o menino, mas evita, talvez por orientação do clube, a elogiar ou fazer previsões. Sequer fala sobre o programa de treinos e de alimentação especial a que o garoto é submetido, visando aumentar sua massa muscular. "Tem potencial e vou ficar com ele aqui mais um ano", limita-se a dizer. "O resto, é segredo que o clube guarda a sete chaves."Pelos cálculos de Neimar, o pai, se o garoto continuar evoluindo rapidamente, em dois anos deve ?pular? do infantil para o profissional, queimando duas etapas, a exemplo de outros jogadores especiais, como Diego, recordista do clube em convocações para as categorias de base da seleção brasileira e que aos 16 anos já era titular do time campeão de 2002. Só acha que o dia-a-dia do filho tem sido muito puxado. "Talvez seja a hora dele ir deixando o futebol de salão, porque com os jogos pelo colégio, pelo Santos (campo e futsal) e treinos diários, ele tem pouco mais de seis horas diárias para repousar. É pouco para repor as energias", argumenta.Mas, se Neimar for ouvido, tudo ficará como está, mesmo porque, após os treinos no Portuários, sua brincadeira predileta é jogar bola com outros meninos, num outro campo quase careca, usado para peladas.

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