Santos procura saída por Robinho

O Santos tinha o plano perfeito para entregar Robinho ao Real Madrid, em troca de US$ 30 milhões livres e sem desgaste político para o presidente do clube, Marcelo Teixeira, em ano eleitoral. A decisão deveria ter sido acertada na reunião de segunda-feira, entre os membros do Conselho de Orientação e Fiscalização, integrantes de comissões e da mesa do Conselho Deliberativo, Teixeira e o vice da diretoria, Norberto Moreira da Silva, mas não deu certo por uma falha no encaminhamento da discussão, de acordo com as informações de um importante dirigente que participou da reunião e que pede para não se identificado. Pelo acordo, Robinho teria se reapresentado no Centro de Treinamentos Rei Pelé na terça-feira, enfrentaria a Ponte Preta, nesta quarta-feira à noite, na Vila Belmiro e ainda disputaria mais cinco jogos e depois iria para o Real, no dia 15 de agosto. Entre dirigentes atuais, ex-presidentes e conselheiros, a reunião teve cerca de 30 participantes, a maioria da situação. O encontro foi aberto pelo presidente Teixeira que fez um indignado discurso atacando o agente de Robinho, Wagner Ribeiro, e estranhamente poupou o outro procurador do jogador, o mega-empresário Juan Figer. Terminou dizendo que sua posição era a de continuar brigando para que o Real Madrid só conseguisse tirar Robinho do Santos se depositasse a multa de US$ 50 milhões. A aparente firme posição de Teixeira foi aplaudida. Um conselheiro pediu a palavra e até disse que o presidente estava retirando o sentido pejorativo da palavra cartola e se constituindo em exemplo como dirigente de grandes clubes. Ex-presidentes e conselheiros neutros ou da oposição estranharam o que estava acontecendo, mera repetição do que tinham ouvido há quase um mês, quando Figer e Ribeiro entregaram a primeira proposta do Real à diretoria e os conselheiros foram reunidos às pressas pela diretoria para opinar. Porém, a explicação para a reunião de emergência de segunda-feira - pessoas ligadas à diretoria chegaram a dizer que Pelé iria participar - surgiu em seguida, quando o vice-presidente Moreira da Silva, fiel escudeiro de Teixeira e um dos mais lúcidos dirigentes do clube, pediu a palavra e fez o papel de contraponto, expondo que o Santos corria o risco de ficar sem Robinho e ter que se contentar com uma importância bem inferior aos US$ 30 milhões. Moreira explicou que havia acabado de sair de uma reunião com Wagner Ribeiro e de receber uma notificação, em espanhol, de Robinho sobre a carta de fiança bancária dos US$ 30 milhões. Ponderou que Robinho e seus agentes estavam dispostos a partir para o litígio, levando o impasse à Fifa, que - disse Moreira da Silva -, não reconhece o contrato que o Santos tem o jogador, o que representava um forte risco para o clube. Moreira da Silva concluiu dizendo que era portador de uma proposta dos agentes do jogador para que Robinho voltasse aos treinos na terça-feira, jogasse contra a Ponte, Corinthians (domingo, na Vila Belmiro), Internacional-RS (quarta-feira, em Porto Alegre), Paraná Clube (dia 7 de agosto, no Paraná), Brasiliense (11/8, na Vila) e Botafogo-RJ (14/8, no Rio). Um dos participantes da reunião se levantou e disse que se o Santos enfrentou todos os riscos até agora, deveria continuar exigindo a multa integral para liberar Robinho e todos votaram com o presidente, jogando por terra o plano que parecia perfeito. Uma importante fonte, que também participou da reunião de segunda-feira, assegura que o Real Madrid já chegou ao valor da multa. "Juan Figer comprou os 40% que pertenciam a Robinho e agora vai negociá-los com o Real, por US$ 20 milhões. Com os US$ 30 milhões disponibilizados ao Santos - o prazo de vencimento da carta de fiança bancária foi prorrogado -, ficam totalizados os US$ 50 milhões. Daí a preocupação da diretoria, porque Figer é sócio do Santos nos direitos federativos do jogador, o que torna inquestionável o seu direito aos US$ 20 milhões", disse a fonte, confirmando que a novela Robinho iria acabar na segunda-feira se o plano da diretoria não tivesse sido derrotado, por engano.

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