Santos quer aproveitar desfalques do Palmeiras para vencer

Equipe da Vila Belmiro precisa superar o adversário para se afastar das últimas colocações do Brasileirão

Sanches Filho, Especial para O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2008 | 19h22

O Santos quer aproveitar a oportunidade e dar um passo importante para começar a sair da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro com uma vitória contra o desfigurado Palmeiras, nesta quinta-feira às 20h30, no Palestra Itália. Aliviado, após a quebra da seqüência de nove resultados negativos, com o 1 a 0 diante do Sport Recife, domingo passado, na Vila Belmiro, Cuca acredita que a equipe vai atuar mais solta e errar menos. Ele reconhece que jogando em casa o time de Vanderlei Luxemburgo é sempre favorito, independente de quaisquer circunstâncias, mas não esconde o otimismo.Veja também: Santos confia na vitória para sair da últimas colocações"Vamos com muito apetite para fazer um bom jogo. E quando uma equipe entra em campo com esse espírito fica mais perto de ganhar", disse o treinador. Ao mesmo tempo, ele procura destacar que a obrigação de vencer é do adversário, por jogar em seu estádio. "Não é porque perdeu do Goiás que o Palmeiras deixa de ser o favorito. Ele é o campeão estadual, está encostado no grupo que se classifica para a Libertadores e foi um dos clubes que mais contratou. Só que entre ser favorito e ganhar o jogo há uma grande diferença."Tudo o que Cuca pede aos seus jogadores é que evitem os descuidos defensivos do primeiro tempo diante do Sport, quando poderia ter sofrido dois ou três gols, e repitam a atuação quase perfeita defensivamente da etapa final. "Não foi um futebol plástico, brilhante, mas o time soube defender o resultado. Faltou apenas um pouco mais de equilíbrio na frente para encaixar um contra-ataque e fazer 2 a 0", analisou.Após a folga de segunda, o treinador deu dois treinos táticos na terça-feira quando armou o time para enfrentar o Palmeiras. Devido à ausência de Michael, suspenso pelo terceiro cartão amarelo, ele foi obrigado a mexer na defesa e no meio-de-campo, com o retorno de Kléber à ala esquerda e a entrada de Roberto Brum para formar com Adriano a dupla de volantes de marcação. Como Michael não vinha jogando bem, a alteração pode até melhorar o time, se Brum conseguir se encaixar melhor do que nos 23 minutos em que esteve em campo contra o Grêmio.Cuca chegou acenar com a possibilidade de escalar três atacantes, com Maikon Leite ocupando a vaga de Michael, atuando pelo meio, porém abandonou a idéia por considerar que o time perde em marcação pelo meio, embora ganhe em velocidade no ataque. Também parece estar descartada a troca de Nelson Cuevas por Maikon para começar o jogo. É provável que ele prefira manter o paraguaio ao lado de Kléber Pereira por ser um jogador com experiência de duas Copas e habituado a jogar sob pressão da torcida adversária. O técnico santista disse que só anuncia o time nos vestiários do Palesta Itália, pouco antes do início do jogo, mas sua única dúvida deve ser Apodi ou Fabiano na ala direita.PENSAMENTO NA VITÓRIAKléber Pereira prefere deixar para mais tarde uma possível briga com o seu amigo Alex Mineiro pela artilharia do Campeonato Brasileiro. Ele continua sendo disparado o melhor atacante do Santos, com seis dos 10 gols que o time marcou na competição - os outros foram feitos por Moraes, Kléber (lateral), Tiago Luís e Michael -, mas, no momento, nem faz questão de aumentar a marca. O que Kléber Pereira mais quer é ajudar o time a sair da situação difícil em que se encontra. E, ao contrário da maioria dos companheiros, não vê motivos para comemoração, apesar da vitória contra o Sport domingo passado."O peso nas costas vai continuar enquanto não sairmos da zona de rebaixamento. Até lá, a minha cabeça não vai estar bem", disse o jogador-referência do Santos. "A amizade com Alex continua, mas agora estou pensando na minha equipe", insistiu. Ele contou que sempre que pode liga para Alex Mineiro para falar sobre futebol, de amigos e de família. Não apenas com Alex, mas outros amigos dos tempos do Atlético-PR. Embora concorde que a dupla de área que formou com o palmeirense no clube paranaense, campeão brasileiro de 2001, foi um uma das melhores dos últimos anos, ele acha que o mérito da conquista não foi apenas deles. "O time inteiro era bom, principalmente do meio para frente."A preocupação de Kléber Pereira com o momento santista tem uma explicação. Se ele não faz gol, o time não ganha e nas derrotas o primeiro a ser cobrado é ele. "As duas posições mais ingratas no futebol são as de goleiro e centroavante. São jogadores que não podem falhar porque a torcida não perdoa."Foi o que aconteceu com ele depois que o Santos saiu da Libertadores e começou a despencar na classificação do Campeonato Brasileiro. O Kléber Pereira, que ficou apenas dois gols atrás do artilheiro do Campeonato Paulista, Alex Mineiro (15), mesmo não participando das fases finais, foi esquecido e surgiram acusações de que ele estava abusando das baladas. Ele deu a resposta em campo, evitando a derrota que parecia consumada diante do Botafogo, entrando no segundo tempo e marcando os dois gols do empate por 2 a 2, quebrando o seu jejum de oito partidas. E também foi dele o gol que quebrou a série de resultados negativos do Santos com a vitória por 1 a 0 contra o Sport, domingo passado. "Tranqüilidade mesmo só com a reação do time. E ganhando o clássico, já muda a moral dos jogadores", concluiu.ALEGRIAQuem assistia ao treino desta quarta no CT Rei Pelé tinha a impressão de que o Santos é um dos líderes do Brasileiro. Cuca e Kléber Pereira formaram dois times e foram os goleiros no rachão, em clima de festa. A brincadeira terminou empatada e o vencedor foi conhecido na cobrança de pênaltis. Deu Cuca, porque Fabão cobrou mal e o técnico defendeu o pênalti com os pés.

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