Guildo Kirchner/EFE
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Santos rebate carta do Barcelona sobre bônus por Neymar

Clube cobra R$ 8,4 milhões dos espanhóis

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2015 | 17h48

O Santos chamou de “cortina de fumaça” a carta feita pela diretoria do Barcelona na qual os espanhóis avisam que não pagarão os 2 milhões de euros (R$ 8,4 milhões) que o clube brasileiro exige pela indicação de Neymar entre os três finalistas ao prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa. O bônus estava previsto no contrato de venda do jogador assinado em 2013 pela gestão de Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e Odílio Rodrigues, mas este ano o acordo foi levado à Fifa pelo presidente Modesto Roma Junior.

O documento foi revelado com exclusividade pelo Estado no sábado. O Santos alega que ainda não recebeu a carta do Barcelona, datada do último dia 14. Mas diz critica o fato de o clube catalão não querer cumprir com as obrigações previstas em contrato.

Confira, abaixo, a nota oficial do Santos:

O Santos Futebol Clube deseja se manifestar publicamente a seus torcedores diante das questões recentemente suscitadas por uma publicação do Futebol Clube Barcelona de uma suposta correspondência, datada de 14 de dezembro de 2015, pretensamente endereçada ao Santos FC. Os originais de referida correspondência jamais foram recebidos pelo Santos FC mas, pelo teor da publicação, verifica-se ser absolutamente insustentável.

Em 31 de maio de 2013, o Santos transferiu os direitos federativos de Neymar Jr. ao Barcelona pelo preço de 17,1 milhões de Euros, mais uma parcela de 2 milhões de Euros em caso de o jogador ser apontado como um dos três finalistas ao prêmio FIFA World Player. Entretanto, como resultado das investigações do caso denominado “Caso Neymar”, promovida pela Justiça Espanhola em face do Barcelona e seus diretores, o Santos teve notícia de que, em realidade, o Barcelona havia pago 80 milhões de Euros pela transferência do jogador. Segundo a informação reportada pelos meios de comunicação, incluindo nos dias que precederam a final do Mundial de Clubes de 2011 (quando Neymar Jr. Era ainda jogador do Santos FC), o Barcelona já havia realizado pagamentos ao jogador por sua transferência para o clube catalão.

Nesse quadro, e dado que o Santos era o único detentor de direitos intitulado a receber pagamentos pela transferência dos direitos do jogador, o Santos FC interpôs uma demanda arbitral diante da FIFA para reclamar a indenização equivalente ã diferença entre os 17,1 milhões de Euros recebidos e os valores que foram pagos pelo Barcelona com relação à transferência do jogador. Caso a FIFA conclua que as condutas do Barcelona e do jogador caracterizem violações aos regulamentos da FIFA, a FIFA poderá impor sanções. Entretanto, essa decisão compete unicamente à FIFA e o Santos não tem nenhuma ingerência sobre esse assunto.

O Santos pede respeito ao sigilo que impera sobre o procedimento de arbitragem da FIFA e insta as partes envolvida para que se abstenham de violar essa obrigação que toca a todos.

Por outro lado, num claro exemplo de inadimplemento contratual, parece que o Barcelona quis dizer, na carta publicada, que não efetuará o pagamento devido ao Santos pela indicação de Neymar Jr como finalista do prêmio FIFA World Player. Inexistem impedimentos formais supostamente aludidos pelo Barcelona para proceder ao pagamento. Por conseguinte, o Barcelona estaria utilizando uma cortina de fumaça para buscar se evadir de suas obrigações contratuais. Não se deve esquecer que é precisamente o Barcelona que está sendo objeto de investigações fiscais e criminais na Espanha, o que obriga, ao Barcelona, somente, de se submeter a auditorias e verificações do destino de suas receitas.

Assim que a correspondência do Barcelona seja recebida oficialmente pelo Santos, o clube enviará a resposta cabível. O Santos se reserva o direito de iniciar tantas ações ou adotar tantas medidas quanto necessárias para preservar seus direitos e, igualmente, para cobrar todos os valores que lhes sejam devidos.

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