Santos resiste e não libera Robinho

Afinal, o Santos recebeu hoje a proposta do Real Madrid para levar Robinho. Os empresários Juan Figer e Wagner Ribeiro se reuniram com o presidente Marcelo Teixeira e deixaram o documento oficial para decisão do futuro do jogador. Mas o dirigente já avisou: quer o atacante vestindo a camisa do clube até a Copa do Mundo. Assim, o Santos pode até fechar o negócio com os espanhóis, mas não entregará o atleta quando terminar a Copa das Confederações. "Recebemos a proposta oficial e vamos levá-la à nossa diretoria e parte do nosso conselho", disse Marcelo Teixeira, garantindo que passou a posição do clube aos empresários e revelou que o constante noticiário sobre essas negociações chegou a desgastar o relacionamento entre os dois clubes. "Esse noticiário foi alimentado na Europa e desgastou muito a insistência numa situação que não é verdadeira". Ele não sabe quem alimentou a imprensa e na reunião de hoje ouviu dos dois empresários que não houve participação deles nessas notícias. "Mesmo com esse desgaste, não podemos decidir de uma forma precipitada, aceitando ou não a proposta de imediato. Temos o nosso posicionamento que não será mudado e se o Real aceitar nossa posição, podemos até prosseguir as negociações. Caso não aceite, teremos dado como encerrado o assunto". Depois da reunião, Wagner Ribeiro procurou interpretar a declaração de Robinho na Alemanha, de que a situação iria se resolver nas próximas horas. "O Robinho é um garoto e aumentam muito o que ele fala. Disse que gostaria de jogar na Europa e isso ele não esconde de ninguém". E comentou que ele se referia à proposta que foi entregou hoje como a novidade das próximas horas. Para o empresário, a situação é clara: se o Santos não aceitar a proposta do Real Madrid, Robinho vai acatar a decisão e cumprir seu contrato até o fim, isto é, até janeiro de 2008, quando será dono integral dos direitos federativos. Atualmente, o jogador tem 40% desses direitos e Wagner Ribeiro negou que já tivesse negociado sua parte com o clube espanhol. "O Robinho não vendeu nada e não pode fazer isso enquanto estiver com o contrato em vigor", disse ele, acrescentando: "ele não pode vender 1% porque ninguém compra parte; ou compra tudo, ou não compra". Sem falar em valores, Wagner Ribeiro comentou que a proposta está muito abaixo da multa prevista para a rescisão contratual, de US$ 50 milhões e que não há a mínima possibilidade de o Real Madrid depositar esse dinheiro para ficar com o atleta. "Isso é impossível porque o mercado não fala nesses valores". Para Marcelo Teixeira, porém, "é uma cláusula de segurança para o clube e para o atleta". Wagner Ribeiro disse que não sabia qual seria a resposta de Marcelo Teixeira e comentou: "O Marcelo não quer vender o Robinho e isso é claro, ele sempre disse isso, disse que pretende que o jogador fique o máximo possível no clube e a proposta apresentada está de acordo com o mercado. Não adianta querer dar valores absurdos, tem de ser feito de acordo com o mercado". Para afastar as especulações de que os pais de Robinho teriam viajado para a Espanha e até mesmo que já estavam morando na Europa, o empresário levou o passaporte dos dois. "Fiz isso para demonstrar que eles estão aqui e não é verdade que eles estiveram na Europa". Ribeiro afastou a possibilidade de ser usado o expediente de Riquelmes, que alegou falta de condições de segurança para continuar na Argentina e pode se transferir para a Europa. "O Robinho até poderia tomar essa direção, mas isso não será feito em consideração ao Santos e ao presidente Marcelo Teixeira. Podem ficar tranqüilos que, enquanto eu representar o atleta, esse rumo jurídico jamais será tomado para ele se desvencilhar do Santos".

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