Rubens Chiri/saopaulofc.net
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Robson Morelli
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Santos e São Paulo escapam do sufoco em temporada que poderiam ter sido rebaixados pela 1ª vez

Time da Vila sofreu com elenco fraco e de garotos, cujo melhor jogador era Marinho, quase sempre machucado; Tricolor trocou de comando, emperra com Rogério Ceni e tem um elenco desgastado

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2021 | 11h12

Santos e São Paulo tiveram em 2021 uma de suas piores temporadas, com riscos de queda para a Série B. São times que nunca caíram, mas neste Brasileirão seus respectivos torcedores tiveram de aumentar o tamanho da vela nas promessas. Somente a 37ª rodada trouxe alívio, após o Santos bater o Flamengo no Maracanã e o São Paulo fazer 3 a 1 diante do Juventude no Morumbi, de modo a subirem na tabela e a não correrem mais riscos de rebaixamento.

No caso do Santos, a falta de competência se resume a um elenco franco. Marinho é de longe o melhor jogador do time da Vila. E ele esteve machucado boa parte dos jogos. Ficou num entra e sai para ajudar a equipe, porque o correto era se tratar até se recuperar de vez e, assim, conseguir emplacar uma boa sequência de partidas, o que nunca aconteceu. O Santos trocou de técnico e deixou de pagar alguns meses de salários em dia. Não tinha dinheiro para nada em sua gestão.

O torcedor sempre soube que os riscos seriam grandes e que não havia o que fazer com os cofres vazios. As cobranças foram mais brandas. Chegar à final da Libertadores de 2020, disputada neste ano contra o Palmeiras, foi um alento para o clube. Parou aí. Fábio Carille tem o tamanho certo para o Santos nesse momento. Alguns meninos começam a despontar, como Marcos Guilherme e Marcos Leonardo. Mas é pouco. 

Para não passar o mesmo sufoco em 2022, o Santos terá de rever seu grupo. Terá de contratar jogadores mais maduros. Há muitos moleques na Vila. Isso não é ruim, mas não pode ser somente isso. Qualquer time precisa de atletas mais prontos e experientes, que falem mais grosso e sirvam de espelho para os mais novinhos. Os novinhos do Santos pedem passagem, mas precisam de sustentação. 

Recentemente, o clube fez um acordo de patrocínio de R$ 55 milhões. Vai precisar colocar a casa em ordem. Não pode gastar mais do que arrecada. Precisa pagar o que deve para recomeçar mais tranquilo. Não há outro caminho.

Morumbi

O São Paulo tem mais problemas. O clube termina a temporada confuso, sem saber o que fazer até com o técnico Rogério Ceni. O treinador, recém-chegado, não deu conta ainda de fazer o time jogar bem. Deu a letra de que os anos serão duros, como foi este. Ceni entrou no lugar de Crespo. Ele não parece animado com seu trabalho. Não sorri, só reclama e não faz a equipe andar. Sua entrevista após a vitória sobre o Juventude tinha o tom de despedida. "Não tenho planos para 2022", disse.

O elenco do São Paulo está desgastado. Os jogadores estão juntos há muito tempo. Rogério pode estar de cara fechada também porque sabe que terá de fazer uma limpa, cortar da própria carne. Há diagnósticos em relação ao elenco que precisam ser combatidos. O São Paulo precisa de um novo grupo. Tem de segurar alguns atletas, como os defensores e os atacantes argentinos, mais um ou outro da base, e colocar o restante no mercado. Não dá mais para começar com a mesma cara e jeito. Todos já sabem que esse time não vai chegar a lugar algum e está muito abaixo de pelos menos dez concorrentes ou mais.

Todos já tiveram chances no time. Liderar uma reformulação é trabalho árduo, mas necessário. Há contratos para serem analisados, alguns em situação de renovação. Rivais mais bem estruturados, como o Palmeiras, por exemplo, estão fazendo essa reavaliação. O Palmeiras liberou dois atletas interessantes, Jailson e Felipe Melo. O São Paulo precisa fazer o mesmo.

É preciso continuar acertando erros de gestões passadas, admitir os equívocos para o torcedor, credores e parceiros e pavimentar caminhos mais suaves em 2022. O futebol puxa tudo para cima. Com ou sem Ceni, o São Paulo precisa de uma limpa. E não dá mais para esperar.

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