Santos tenta fugir da pressão

A equipe do Corinthians e a contusão do atacante Deivid não são os principais adversários do técnico Geninho para o segundo jogo das semifinais do Campeonato Paulista, domingo, no Morumbi. Na reta final da competição, o treinador está sentindo na pele todas as dificuldades que existem para comandar um time que há 17 anos não prova o sabor de conquistar um título.Para ele, o grande problema é a pressão extra-campo que um time da situação no Santos sofre. "Todo mundo fica muito tenso", afirmou. "Aí, quando acontece alguma coisa que, de uma forma ou outra, traga uma ameaça de deixar o time mais um ano fora da briga pelo campeonato, essas pessoas ficam nervosas, perdem o bom senso e passam a agir pela emoção", observou o comandante santista, referindo-se às críticas que vem sofrendo de dirigentes e torcedores.E essa situação peculiar ficou clara depois da primeira partida. Após estar vencendo por 1 a 0 no primeiro tempo, Geninho colocou o volante Marcelo Silva no lugar do atacante Deivid, que teve de sair ainda na etapa inicial com uma lesão no ligamento medial do joelho direito.Coincidência ou não, o time de Wanderley Luxemburgo voltou melhor no segundo tempo e empatou. Já os santistas perderam diversas chances de ampliar nos 45 minutos iniciais, retornaram apáticos e quase perderam o jogo. Tudo isso fez com que alguns dirigentes da Vila Belmiro, que estavam acompanhando a partida no Morumbi, começassem a falar, mesmo antes de deixarem o estádio, que as alterações e a mudança no esquema tático da equipe foram erradas. Em outras palavras, atribuíram a culpa pelo resultado a Geninho.O mal-estar criado pela confusão chegou a tal ponto que a comissão técnica, com receio de que as declarações pudessem influenciar o rendimento dos jogadores e abalá-los emocionalmente, decidiu promover uma reunião na quarta-feira pela manhã, antes do primeiro treino em Jarinu, onde o time fica concentrado até hoje (11) à noite.No encontro, Geninho deu oportunidade para que todos falassem, dessem sugestões ou fizessem observações. O volante colombiano Rincón, o mais experiente do grupo, fez um verdadeiro discurso de motivação aos companheiros, ocupando mais tempo do que o próprio treinador. "Foi uma dinâmica muito importante", disse Geninho. "Mas pode ter certeza de que a pressão em dirigir o Santos é bem maior do que nos outros grandes clubes." Estratégia - Embora a ida para Jarinu não tenha sido a primeira concentração realizada pelo time fora da Vila Belmiro, dessa vez optou-se por levar os atletas para um local mais isolado. Na semana que antecedeu o primeiro jogo, o Santos fez sua preparação em Sorocaba e treinava em Itu. Em princípio, essa dificuldade em deslocar-se de uma cidade para outra foi apontada por Geninho como razão da mudança para o local onde Emerson Leão concentrou a seleção brasileira antes da partida contra o Peru (1 a 1).Isso é verdade. No entanto, o fator preponderante na decisão da comissão técnica foi a possibilidade de deixar o time o mais distante possível dessa pressão que emana de dirigentes e torcedores frustados com a falta de conquistas. "Aqui pelo menos temos toda tranqüilidade para trabalhar e chegar ao nosso objetivo", explicou Geninho.

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