Santos treina e Robinho joga videogame

Robinho cumpriu o que prometeu na coletiva que deu na capital, segunda-feira, e não deu as caras hoje à tarde, no Centro de Treinamentos Rei Pelé, na reapresentação dos jogadores, e fica cada dia mais longe do Santos. O jogador apenas telefonou para um amigo que assistia ao treino físico, sob garoa, pedindo informação sobre uma reportagem a seu respeito que saiu na véspera num jornal. Quanto a sua ausência disse apenas que não iria aparecer mesmo e que estava jogando vídeogame, em seu apartamento, no bairro Aparecida, em Santos. Os dirigentes estão proibidos pelo presidente do clube, Marcelo Teixeira, de falarem sobre Robinho. O próprio Teixeira não toca no assunto - segundo se fala, para não dar armas ao adversário - nem para confirmar que o Arsenal fez uma proposta de US$ 30 milhões, US$ 5 milhões a mais do que a do Real Madrid, pelo jogador, segunda-feira à noite. O técnico Gallo disse que tinha certeza de que Robinho se apresentaria hoje à tarde para treinar. "Foi o que ele combinou com o presidente, numa reunião entre os dois, domingo cedo", disse o técnico, alegando que não podia dar mais informações porque desde o momento que Robinho deixou de aparecer para treinar, ele entregou o caso à diretoria. "A única coisa que eu fiz, na conversa que tive com Robinho, foi aconselhá-lo a não deixar de trabalhar." Gallo lamentou o que está acontecendo porque quando insistiu para que a diretoria trouxesse Giovanni de volta, imaginou que o Santos se tornaria um time muito forte com o ídolo dos anos 90 formando dupla com Robinho. "Seria ótimo que isso tivesse acontecido porque os dois iriam se completar. Ainda tenho esperança de que isso venha acontecer. Gostaria muito de ainda voltar a contar com Robinho." Na entrevista de hoje à tarde, Gallo pareceu menos confiante na possibilidade do impasse entre Robinho e o Santos seja superado. Porém, ele insiste que Teixeira continua decidido a não negociar o jogador antes de julho de 2006. "A informação que tenho do presidente é que a proposta do Real foi recusada e, então, Robinho continua sendo jogador do Santos." A falta de Robinho, hoje, foi considerada a quarta consecutiva pelo clube porque, de acordo com a assessoria de imprensa, ele teria que treinar na sexta-feira, ir para a concentração na noite de sábado, jogar no domingo e se reapresentar hoje. Circulam comentários, segundo os quais Robinho estaria faltando por orientação de um advogado, especializado em direito esportivo, que Juan Figer contratou na Europa. A idéia seria provocar o clube a suspender o contrato para que o impasse seja levado à Fifa, onde o jogador alegaria seus motivos para exigir a transferência para a Europa, sem ficar marcado por ter tomado a iniciativa de ingressar na entidade contra o Santos. Também fala-se que o Santos vai descontar os dias não trabalhados no salário de R$ 400 mil mensais de Robinho. Assessores diretos do presidente santista não confirmam que o Santos tenha pedido à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que ingresse na Fifa com denúncia contra o Real Madrid por ter aliciado Robinho e faltado com a ética em relação ao clube brasileiro. "Tanto a suspensão do contrato como uma denúncia à Fifa, pode, de forma indireta, atender aos interesses de Robinho e seus assessores. Por isso, o Santos não vai usar esse caminho", confidencia a fonte, que pede para ser mantida no anonimato. Autor do livro "O Direito do Trabalho e o Jogador Profissional do Futebol Brasileiro", o juiz Rui César Publio Correa, da 60ª Vara da Justiça Federal do Trabalho em São Paulo, sugere, em entrevista ao jornal de Santos, A Tribuna, na edição de hoje, que o imbróglio entre Santos, Robinho e Real Madrid seja resolvido pela via da negociação. "Sou defensor da Lei Pelé, mas nesse caso específico, a cláusula de multa contratual inibe o jogador para exercer o seu direito de trabalho, opina Rui César. "Esse valor (US$ 50 milhões) é um absurdo e coloca em xeque o direito do atleta exercer o seu trabalho onde quiser." O juiz diz que se o impasse for levado à Justiça do Trabalho ou à Fifa, o valor da multa contratual será consideravelmente reduzido. "Talvez para menos do que a proposta do Real", concluiu.

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