Santos vence com show de Robinho e Renato

Um carnaval em preto e branco marcou a vitória do Santos hoje sobre o Marília, por 3 a 1, em São Paulo. O resultado positivo, comandado novamente por Renato e Robinho, mantém o time na liderança isolada do Grupo 2, com 17 pontos. O Marília permanece com dez. Durante algumas horas, a torcida santista transformou o Parque Antártica em um reduto peixeiro. Como ainda não tinha acontecido em 2004, as ruas que cercam o estádio palmeirense foram tomadas por um mar de torcedores, alguns deles desembarcando em ônibus com placas de Araraquara, Campinas e outras cidades do interior paulista. Longe da Vila Belmiro, estádio no qual o time tem média de menos de cinco mil torcedores, o Santos atrai mais e mais empolgados seguidores (algumas pessoas chegaram à porta do estádio e, ao ver o tamanho da fila, desistiram). Hoje, além de encher o estádio, a galera mostrou um entusiasmo típico de quem estava com saudade de ver de perto uma partida de seu clube de coração. Até mesmo os mascotes eram aplaudidos. Tudo era motivo de festa para os quase 20 mil pagantes. Quando Renato e, principalmente, Diego pegavam na bola, gritos histéricos da arquibancada; quando Robinho dominava, a torcida segurava o fôlego à espera do melhor. Podia ser um "olé", um lance de perigo, um gol... Aos 13 minutos, uma dessas jogadas do camisa sete santista abriu o placar. Robinho recebeu de Paulo César na intermediária, avançou pela meia direita, enganou a zaga com uma ginga e acertou um belo chute da entrada da área: 1 a 0. A explosão da torcida contagiou a equipe, que passou a pressionar atrás do segundo e perdeu chances com Robgol e Basílio, ambas em rebotes do goleiro Marcelo Cruz, que ignorou o tempo nublado e atuou de boné os 90 minutos. No primeiro chute a gol do Marília, o empate e o despertar da, cada vez mais freqüente, desconfiança da torcida em Doni, que hoje recebeu vaias até mesmo antes de a partida começar, quando o seu nome apareceu no placar eletrônico. Assim que Éder marcou em um chute forte da entrada da área, a galera passou a pedir em coro o reserva Júlio Sérgio. Depois de alguns minutos de queda, nos quais o time sentiu o baque do empate, só no final do primeiro tempo o Santos voltou a pressionar o Marília, o que persistiu sob chuva, no início do segundo tempo, construindo o cenário de um massacre. Só uma equipe atacava. A outra era bombardeada, sob os mais variados efeitos sonoros das arquibancadas. Efeitos que só cessaram aos 14 minutos do segundo tempo. Quando Robinho pegou a bola, tocou por debaixo das pernas de Romildo e tocou na saída do goleiro Marcelo Cruz. Um golaço. A partir daí, o Santos desperdiçou inúmeras chances de ampliar. Apesar dos gols perdidos, o time jogava com classe e criava lances bonitos, tanto no ataque como na defesa. Dois exemplos: Robinho recebeu na área, deixou o zagueiro no chão, mirou o ângulo e errou por pouco; Renato, o melhor em campo, dominou na defesa, livrou-se do atacante com um lindo chapéu e saiu jogando, com categoria. Por causa dessa jogada, já quase no final da partida, a torcida aplaudiu e venerou Renato. No lance seguinte, quando a galera ainda gritava o nome do camisa oito santista, o meia aproveitou cobrança de escanteio de Elano e fechou o placar, de cabeça. E o carnaval santista continuou até depois do fim do jogo e até contagiou jogadores como o lateral Léo, que retribuiu jogando a sua camisa para a torcida. Um presente merecido.

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